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19/01/2010 - 13h04

Andrade Gutierrez rivaliza com Odebrecht em Belo Monte

SÃO PAULO - A competição entre as empreiteiras em torno da usina hidrelétrica de Belo Monte começou a se desenhar nesse início de ano de forma bem distinta da que foi vista em torno da licitação das usinas do rio Madeira.
A construtora Andrade Gutierrez não será mais a parceira da Odebrecht na usina que será construída no Pará, como estava acertado até alguns meses atrás.

Pelo contrário, ela pretende formar um consórcio que vai rivalizar com a Odebrecht, que por sua vez negocia uma parceria com a sua principal rival no Madeira, a Camargo Corrêa.

"A Andrade Gutierrez vem estudando há algum tempo este projeto e, no momento, está intencionada a formar um consórcio com um grupo de empresas do qual a Odebrecht não faz parte", diz a nota enviada ao Valor pela assessoria de imprensa da empresa. "A construtora está aguardando as regras do leilão para definir mais detalhes de sua participação".

Já a Odebrecht e Camargo também confirmaram que estão negociando um consórcio investidor para Belo Monte. Essa parceria também deve se refletir no consórcio construtor da usina.

A expectativa é de que a licença ambiental do empreendimento seja concedida em fevereiro e o leilão aconteça em março desse ano.

Depois que o governo conseguiu desmontar o consórcio único que estava sendo articulado para o leilão, em meados do ano passado, essa configuração que agora se forma não era nem um pouco esperada. A expectativa era de que Camargo e Odebrecht rivalizassem novamente e esta última se unisse à Andrade, que ainda hoje é sua sócia na usina de Santo Antônio.
Em setembro do ano passado, um importante executivo do grupo Odebrecht garantiu que essa parceria no rio Madeira iria se repetir em Belo Monte.

A notícia da união entre Camargo e Odebrecht chegou a preocupar algumas fontes do governo, que viram na união uma nova ameaça de consórcio único. Isso porque a Camargo, por meio da CPFL Energia, formava um forte consórcio com Vale, que é autoprodutora, e Neoenergia, empresas com participação da Previ.

O consórcio da Andrade poderá arrastar a Cemig, outra parceira da Odebrecht em Santo Antônio. A estatal mineira era sócia da construtora na Light e, em breve, poderá ter a Andrade como sua acionista, no lugar do grupo AES.
Uma fonte importante do setor diz, entretanto, que a Vale não entraria nesse consórcio formado por Camargo e Odebrecht. E o que foi apelidado de "consórcio Previ" estaria desfeito, com a Neoenergia também livre para disputar contra a CPFL (na qual a Camargo é sócia majoritária).
Para ficar com os 20% de energia destinado a autoprodutores, Alcoa, Vale e Votorantim articulam um grupo único para participar em um dos consórcios que vai disputar o leilão de Belo Monte. O objetivo é garantir energia para a instalação de uma fundição de alumínio conjunta a ser erguida no país, com capacidade entre 400 mil e 500 mil toneladas. Um projeto desse porte vai requerer 700 MW. A energia responde por cerca de 35% do custo de produção da tonelada do metal. Em seu consórcio, a Odebrecht poderia contar com a controlada Braskem como sócio na condição de autoprodutor.

Em função da grandiosidade do projeto de Belo Monte, usina que terá capacidade de gerar mais de 11 mil MW de energia e vai requerer investimentos na casa das dezenas de bilhões de reais, o risco da construção também é elevado.

Uma fonte do setor diz que é possível que a Andrade acabe por fechar parceria com alguma construtora estrangeira, como as espanholas que, inclusive, já tiveram conversas com o governo federal para entrarem no país. Essa parceria poderia ser firmada via Neoenergia, que tem entre seus acionistas majoritários o grupo espanhol Iberdrola.
O interesse desse grupo no projeto de Belo Monte é tamanho que o presidente mundial da empresa esteve no Brasil no ano passado para aprovar sua participação no leilão. A agenda incluiu uma visita à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Entre os principais sócios da Iberdrola na Espanha está a construtora ACS.
(Josette Goulart e Ivo Ribeiro | Valor)

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