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19/01/2010 - 13h08

DIs curtos sobem, enquanto longos recuam na BM&F, em dia de Copom

SÃO PAULO - O mercado de juros futuros volta a mostrar uma divisão em sua curva em dia de reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Enquanto os contratos com vencimentos mais curtos sobem, diante da expectativa em relação ao início do ciclo de aperto monetário, os mais longos perdem prêmios de risco na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F).

Analistas aguardam um aumento da taxa básica de juros de 0,5 ponto percentual, elevando-a para 11,25% ao ano na abertura de 2011.

Há pouco, o Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em fevereiro de 2011 subia 0,05 ponto percentual, para 11,11%, assim como o contrato com vencimento em março avançava 0,01 ponto, a 11,14%, o de abril ganhava 0,02 ponto, a 11,39%, e o de julho tinha aumento de 0,01 ponto, para 11,91%.
Entre os DIs de prazos mais dilatados, o do início de 2012 registrava decréscimo de 0,02 ponto, a 12,40 %, o contrato de abertura de 2013 apresentava queda de 0,05 ponto, a 12,69%, o de janeiro de 2014 recuava 0,05 ponto, a 12,60%, e o do início de 2015 cedia 0,07 ponto, a 12,50%.

Além disso, os contratos de abertura de 2016 e 2017 declinavam 0,05 ponto e 0,04 ponto, respectivamente a 12,36% e 12,30%.

O sócio-diretor da RC Consultores, Fábio Silveira, espera duas altas da taxa Selic de 0,5 ponto percentual cada nas duas primeiras reuniões do Copom em 2011. A partir de então, ele assinala que será necessário avaliar o cenário inflacionário, com ênfase no front externo, para projetar os próximos passos do BC.

"Uma parcela importante do aumento dos preços domésticos deve-se a uma valorização dos preços internacionais, de commodities e matérias-primas, e não apenas envolvendo alimentos. A base produtiva está bastante encarecida em escala internacional e do ponto de vista doméstico. Aqui temos uma elevação de preços de alugueis e contratos, em função da forte alta do IGP, e também uma pressão altista de serviços no começo de ano, além da inflação gerada pelas chuvas nos hortifrutis", analisa Silveira.

Ele observa que há um "coquetel bastante diversificado de pressão altista", que preocupa para o médio prazo. "Os preços seguem em alta, a liquidez internacional é grande e está em expansão. No Brasil, a taxa de câmbio estável é que impede um agravamento deste quadro, mas só ela não resolve", diz o economista, para quem o impacto de um aperto fiscal neste início de governo não deverá "refrescar" a inflação deste ano.

Em relação ao tom a ser adotado pelo Banco Central no comunicado posterior à reunião do Copom e na própria ata, Silveira não espera mudanças representativas. "Eu diria que o Banco Central vai continuar com sua sobriedade", observa.

Já a equipe da Rosenberg Consultores Associados avalia que, neste primeiro encontro presidido por Alexandre Tombini, "há sinais suficientes para crer em uma postura mais consistente do que a confusa política dos últimos meses da gestão de Henrique Meirelles".
Segundo a instituição, o BC perdeu no último semestre de 2010 muito de sua credibilidade adquirida em anos de execução monetária quase impecável. "Espera-se que o comunicado [do Copom] mencione alguma indicação sobre as próximas decisões, portanto sobre a extensão do ciclo de alta", diz a Rosenberg, em relatório enviado a clientes.

Nesta quarta-feira, a Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgou que a inflação medida pelo Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) abrandou na segunda prévia de janeiro para 0,63%, ante a alta de 0,75% da mesma medição de dezembro de 2010.
Na gestão da dívida pública, o Tesouro realiza leilão de troca de Letras do Tesouro Nacional (LTN).

(Beatriz Cutait | Valor)
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