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19/01/2010 - 12h37

Consumo de energia no Brasil deve crescer 4,5% ao ano, prevê KPMG

SÃO PAULO - O consumo de energia elétrica no Brasil crescerá a uma taxa média anual entre 4% e 4,5% até 2020, o que exigirá investimentos no setor da ordem de US$ 10 bilhões por ano no período, segundo estudo realizado pela consultoria KPMG.


De acordo com o levantamento, para suprir esse aumento de demanda, o Brasil precisará alcançar uma capacidade de geração de energia de 152 GW (gigawatts) em uma década, o que representa um avanço de 63% sobre a capacidade instalada de 2006. Atualmente, o país responde por 2,6% do consumo mundial de eletricidade.

As estimativas da KPMG levam em conta um crescimento anual médio da economia brasileira próximo a 5% nos próximos anos, além de um incremento de 10% na população brasileira até 2020, tendo como base de comparação o ano de 2008.

Como a economia tende a crescer mais do que a população, espera-se que o consumo per capita de energia elétrica alcance 3.223 KWh (quilowatts hora) até 2020, superando levemente a projeção para o consumo médio per capita mundial, de 3.163 KWh.

"O Brasil terá que investir e mudar a composição de sua matriz energética para fontes alternativas", afirma Márcio Lutterbach, sócio de corporate finance da KPMG no Brasil.


Ele se refere a um maior investimento em fontes de energia nuclear e eólica, que hoje respondem por uma ínfima parte da geração elétrica no país.

Atualmente, mais de 85% da energia consumida no país provém de hidrelétricas, mas essa situação deve mudar nos próximos dez anos, de acordo com o estudo.
Até 2020, a energia elétrica produzida a partir de usinas térmicas movidas a gás natural responderá por 10,9% do total, na esteira de descobertas da Petrobras na Bacia de Campos, assim como um uso intensivo do gás fornecido pela Bolívia.

A KPMG também prevê que a energia nuclear responderá por 4% da eletricidade produzida no país até 2020, enquanto a geração a partir do uso de biomassa e resíduos será responsável por 3,9% do total.

O estudo ainda aponta um elevado nível de perdas no setor elétrico brasileiro, que respondem por 16,4% da produção, bem acima da média mundial de 8,5%.

O índice se deve à longa distancia pela qual a eletricidade é transmitida e distribuída, ao furto de energia e à falta de equipamentos modernos nas linhas de transmissão.

"Será preciso ter mais eficiência nas linhas e no controle de furtos, junto com investimentos em equipamentos mais modernos", afirma Lutterbach. De acordo com o levantamento da consultoria, as perdas no sistema elétrico deverão cair para 14,5% até 2020.

(Eduardo Laguna | Valor)

 

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