UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

19/01/2010 - 12h15

IGP-M e IPC da Fipe pressionam juros e elevam prêmios de risco

SÃO PAULO - Pressionados pelos indicadores de inflação divulgados nesta manhã, que superaram a previsão do mercado, os contratos de juros futuros operam em alta na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F).

Na parte longa da curva, o Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2011, referência de mercado, registrava, há pouco, acréscimo de 0,05 ponto percentual, a 10,32%, enquanto o contrato de janeiro de 2012 avançava 0,04 ponto, a 11,72%, e o de janeiro de 2013 subia 0,03 ponto, a 12,33%.

Na parte curta da curva, o DI com vencimento em julho de 2010, que divide as apostas entre alta de juros no primeiro ou segundo semestre, projetava taxa de 9,13%, alta de 0,03 ponto. Ainda entre os curtos, março deste ano era a exceção do dia, ao contar com decréscimo de 0,005 ponto, para 8,665%, enquanto DI de abril de 2010 subia 0,005 ponto, a 8,705%.
O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), teve alta de 0,51% no segundo decêndio de janeiro, ante queda de 0,18% apurada em igual período de dezembro. Os preços no atacado e a inflação ao consumidor foram os principais fatores responsáveis pela aceleração.

O Índice de Preços por Atacado (IPA), que responde por 60% do IGP-M e que havia recuado 0,38% na segunda prévia de dezembro de 2009, teve alta de 0,44% nesta medição. Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subiu 0,74% no segundo decêndio de janeiro, aceleração de 0,55 ponto percentual em relação ao mesmo período do mês passado.

Cinco das sete classes de despesa componentes do índice apresentaram avanços em suas taxas de variação, com destaque para Alimentação (-0,03% para 1,19%) e Transportes (0,31% para 1,53%), que foram pressionados pelos preços de hortaliças e legumes, laticínios e tarifa de ônibus urbano.

Por fim, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), responsável por 10% do IGP-M, apresentou, no segundo decêndio de janeiro, alta de 0,40%, ante a inflação de 0,22% apurada no mesmo intervalo do mês passado.

Já a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) revelou que a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC) no município de São Paulo avançou na segunda medição de janeiro, também sob influência do reajuste da tarifa de ônibus urbano e do aumento de produtos alimentícios. O indicador, que já havia subido 0,48% na primeira quadrissemana, teve alta de 0,85% na segunda.

"Os indicadores divulgados estão pressionando os prêmios. A inflação corrente está acima da previsão do mercado, que está ficando com o pé atrás. Além disso, notamos que grupos como Alimentação estão subindo de forma forte e generalizada. Não é uma alta pontual", comentou o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa.

Na avaliação do economista, o primeiro Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) de 2010 deve vir mais "comportado", já que ainda não terá captado todas as altas que pressionaram os índices da FGV e da Fipe, como o reajuste das tarifas de ônibus em São Paulo e no Rio de Janeiro e das mensalidades escolares.
A SulAmérica Investimentos projeta inflação de 0,50% para o IPCA-15 de janeiro, aceleração de 0,12 ponto percentual em relação a dezembro de 2009 (0,38%).

(Beatriz Cutait | Valor)

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host