UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

19/01/2010 - 14h20

Setor sucroalcooleiro responde por 70% dos cortes na indústria paulista em dezembro

SÃO PAULO - O setor sucroalcooleiro foi o grande vilão da queda de 3%, sem ajuste sazonal, registrada no nível de emprego da indústria paulista em dezembro, na comparação com o mês anterior.

Os produtores de álcool e açúcar responderam por 46.861 (70%) das 67.000 vagas eliminadas pela indústria no mês passado, de acordo com balanço divulgado nesta terça-feira pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Na análise do diretor de pesquisas econômicas da entidade, Paulo Francini, o resultado reflete um ajuste natural ocasionado pelo fim do período de safra no setor. "O campo voltará a ter trabalhadores em março. Da mesma forma que enchem (os postos de trabalho) no início do ano, esvaziam-se no final do ano", disse Francini.

Apesar do tombo de dezembro, a indústria sucroalcooleira de São Paulo criou 2.434 postos de trabalho no acumulado do ano passado, ajudando a suavizar o resultado da indústria do Estado como um todo, que fechou 98.000 vagas no período.

Após essa baixa, a Fiesp acredita que o emprego na indústria paulista mostrará uma recuperação neste ano. Ainda assim, não conseguirá neutralizar em 2010 os cortes de vagas registrados a partir da crise financeira, segundo Francini.

"Não conseguiremos retomar em 2010 o nível de emprego visto antes da crise", afirmou o economista, lembrando que a criação de vagas de trabalho sempre apresenta uma defasagem em relação ao ritmo da atividade econômica.

De acordo com as projeções apresentadas pela Fiesp no mês passado, o nível de emprego industrial em São Paulo terá uma expansão de 6,2% neste ano, como resultado de um crescimento da mesma magnitude aguardado pela entidade para a economia brasileira em 2010.

Não obstante, Francini disse hoje que o avanço será insuficiente para compensar a queda superior a 7% nos postos de trabalho ocasionada pela crise.

O economista disse que fatores como o crescimento da renda e do crédito sinalizam para um aquecimento da atividade econômica neste ano. Da mesma forma, ele apontou que a realização de eleições poderá levar os governantes a buscar uma aceleração dos investimentos públicos.

Por outro lado, Francini avaliou que o dólar fraco - que retira a competitividade da indústria nacional - representa a "nuvem no horizonte". Ele ainda afirmou que a decisão da Venezuela de desvalorizar sua moeda também poderá trazer impactos negativos nos negócios com o país de Hugo Chávez.

(Eduardo Laguna | Valor)

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host