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20/01/2010 - 16h41

Agricultura e setor de alimentos lideram demissões em dezembro

SÃO PAULO - O mercado de trabalho formal no Brasil encerrou 2009 com a criação de 995.110 vagas com carteira assinada. Trata-se do pior resultado desde 2003, quando foram gerados 645.433 empregos.

O número, divulgado hoje pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), ficou abaixo da expectativa do ministro da pasta, Carlos Lupi, que projetava a criação de 1 milhão de postos de trabalho no ano passado.

A indústria de transformação desponta como a principal responsável pela queda nas contratações em relação a 2008. Naquele ano, foram gerados 1.452.204 empregos, sendo 178.675 no setor.

Para efeitos de comparação, em 2009, a indústria de transformação fechou com um saldo de 10.865 vagas. O setor foi fortemente atingido pela crise financeira entre o final de 2008 e o começo de 2009.
Ao comentar os números do Caged, Lupi disse que não havia motivos para preocupação, sobretudo se for levado em conta que o país passou por uma crise global.

"Não considero o pior por causa da realidade que estamos vivendo. Os Estados Unidos perderam quatro milhões de empregos. Toda a Europa fechou com perdas astronômicas. No G20 (grupo dos países mais ricos), o Brasil é o único a ter esse número", argumentou o ministro.

Em dezembro, houve um alto número demissões em vários setores, o que provocou um saldo negativo no mês de 415.192 vagas. Esse montante também superou as previsões do ministro, que esperava um saldo negativo em torno de 300 mil.

Ainda assim, o desempenho foi melhor do que registrado no mesmo mês de 2008, quando foram fechados 654.946 empregos. Dezembro geralmente tem um número significativo de baixas por conta da dispensa de funcionários temporários.

Novamente a indústria de transformação aparece no mês como a grande vilã, com a perda de 166.040 postos de trabalho, sendo o setor de alimentos o que mais demitiu (94.567).

Já a agricultura fechou o mês com a demissão de 117.216 empregos. Neste caso, pesaram fatores como a entressafra de várias culturas. Os serviços também tiveram desempenho ruim, com saldo negativo de 68.082.

O comércio, por sua vez, foi o único setor que conseguiu no período ficar no azul. Criou 10.596 vagas.

(Fernando Taquari | Valor)

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