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20/01/2010 - 12h54

Após Copom, DIs curtos devolvem prêmios de risco e longos sobem

SÃO PAULO - Com um comunicado curto e direto ao ponto, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) anunciou ontem a elevação da taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual, para 11,25% ao ano. O BC informou que deu início a um processo de ajuste da taxa básica de juros, "cujos efeitos, somados aos de ações macroprudenciais, contribuirão para que a inflação convirja para a trajetória de metas".

A decisão veio em linha com as expectativas, confirmou novos aumentos da Selic e, neste momento, os agentes analisam o desenrolar das tais "ações macroprudenciais".

O economista-chefe da Máxima Asset Management, Elson Teles, avalia que o BC deverá promover um esforço no sentido de adotar novas medidas, em um cenário que demanda um ajuste fiscal.

"Tem que haver um esforço de pelo menos 1% do PIB. No fundo, é essa a hipótese com que o mercado trabalho, mas ele é muito cético. É preciso ter uma sinalização mais forte do governo. É preciso um mix de medidas para que a inflação convirja para a meta se não no fim deste ano, até meados de 2012", assinala.

Teles acredita que o ciclo total de aperto monetário contará com três aumentos de 0,5 ponto - o de janeiro incluído -, levando os juros básicos brasileiros para o patamar de 12,25% ao ano. A inflação oficial deve atingir 5,5% em 2011.

"Nosso cenário supõe que novas medidas aconteçam e um esforço fiscal, que devem ser suficientes para dar uma calibrada nas expectativas de inflação e desacelerar a demanda doméstica", diz Teles.

André Perfeito, economista da Gradual Investimentos, apontou que, no comunicado do BC, apesar da sinalização do início de um ciclo de aperto monetário, ele será menor que o esperado pelo mercado.

"Ao incorporar à nota a questão das medidas ?macroprudenciais', fica evidente que o BC está avisando ao mercado que, além da taxa de juros, o colegiado irá dar atenção especial a outros instrumentos tópicos que irão somar esforços à Selic", observa o economista.

Na curva de juros futuros, depois de alguns dias de posição defensiva do mercado, que levou ao acúmulo de prêmios de risco entre os contratos mais curtos, os operadores corrigem posições.

O sentido dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) de prazos mais dilatados é o oposto, com os agentes de olho nos próximos aumentos da taxa Selic.

Há pouco, na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), o DI com vencimento em março de 2011 caía 0,01 ponto percentual, para 11,14%, assim como o contrato com vencimento em abril cedia 0,04 ponto, a 11,36%, e o de julho tinha baixa de 0,05 ponto, para 11,88%. Além disso, o DI de janeiro de 2012 ainda perdia 0,04 ponto, a 12,37%.

Entre os DIs de prazos mais dilatados, o contrato de abertura de 2013 apresentava alta de 0,06 ponto, a 12,74%, o de janeiro de 2014 também subia 0,06 ponto, a 12,66%, e o do início de 2015 avançava 0,09 ponto, a 12,60%.

Além disso, os contratos de abertura de 2016 e 2017 aumentavam 0,07 ponto, respectivamente a 12,43% e 12,36%.

Na gestão da dívida pública, o Tesouro realiza leilão tradicional de vendas de Letras do Tesouro Nacional (LTN) e Letras Financeiras do Tesouro (LFT).

(Beatriz Cutait | Valor)
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