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20/01/2010 - 13h04

Bovespa cai mais de 2% e perde os 69 mil pontos; dólar sobe a R$ 1,786

SÃO PAULO - A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) segue operando em baixa nesta quarta-feira, conforme cresce a preocupação com um aperto monetário na China e os balanços de bancos americanos ficam abaixo do previsto. Por volta das 12h50, o Ibovespa apontava queda de 2,13%, os 68.419 pontos, com giro financeiro em R$ 2,67 bilhões.

Segundo o economista da Um Investimentos, Hersz Ferman, o que puxa as bolsas de valores para baixo é essa preocupação com a política monetária chinesa. O especialista lembra que o governo já subiu a taxa de juros dos títulos de um ano e elevou a alíquota do depósito compulsório. E, hoje, um dos reguladores do setor bancário no país, Liu Mingkang disse que os bancos devem emitir 7,5 trilhões de yuan (US$ 1,1 trilhão) em novos empréstimos, cifra 22% inferior se comparada aos 9,59 trilhões observados em 2009.

Ferman explica que quem puxa o crescimento no mundo são os emergentes e esses notícias de aperto monetário deixam os agentes mais receosos, pois poderiam resultar em menor desenvolvimento da economia chinesa.

No entanto, o economista pondera que o governo chinês tenta trazer a política monetária para a normalidade, depois de grandes estímulos dados para conter a crise.

Essas preocupações também batem no mercado de commodities, diz o economista, o que consequentemente atinge a bolsa brasileira, que é um ativo de risco emergente e com grande participação de empresas de matérias-primas em sua composição.

No lado corporativo, Vale PNA lidera o volume, perdendo 1,48%, para R$ 46,55, Petrobras PN caía 2,0%, a R$ 35,65 e OGX Petróleo devolvia 3,05%, a R$ 18,71. No varejo, Pão de Açúcar PNA anunciou um plano de investimento de R$ 5 bilhões para os próximos três anos, que contempla a abertura de 300 novas lojas até 2012, sendo que destas, 100 devem ser abertas em 2010. O papel PNA da companhia perdia 0,23%, a R$ 67.85. Ainda no setor, B2W Varejo ON recuava 4,89%, a R$ 39,61, maior queda do dia. Já Lojas Americanas PN devolviam 3,86%, a R$ 14,18.

Depois de subir mais de 4%, Eletrobrás ON perdia 0,10%, a R$ 37,16. A empresa voltou a se pronunciar sobre o pagamento de dividendos atrasados, indicando que estuda todas as opções possíveis, incluindo a possibilidade de quitação aliada a uma operação simultânea de aumento de capital, na qual os acionistas poderiam subscrever novas ações com os recursos provenientes da reserva de dividendos. No entanto, a empresa ressaltou que " não existe, no momento, definição quanto à data e a forma para quitação " .

Apenas dois dos 63 ativos listados registravam valorização. Brasil Telecom PN subia 0,07%, a R$ 14,21, depois de afundar 15% em função da iniciativa da Telemar de rever a relação de troca de ações em função de passivos legais. E Light ON avançava 0,08%, a R$ 24,22.

Fora do índice Telebrás PN mantém forte volume, mas devolve os ganhos da manhã. Há pouco, o papel caía 3,42%, a R$ 1,67, com R$ 70 milhões em negócios. Ontem, o ativo disparou 37,79%, a R$ 1,75, com mais de R$ 195 milhões em negócios, quarto maior volume do dia.

O recibo de ação da Laep, controladora da Parmalat, avançava 7,20%, a R$ 2,68, com R$ 50 milhões em negócios. Já Kepler Weber ON saltava 13,46%, a R$ 0,56, movimentando mais de R$ 40 milhões. No câmbio, o dólar sobe no mundo todo. Entre as justificativa, estão a renovada preocupação com a situação fiscal da Grécia, o que enfraquece o euro, e o recuo na cotação das commodities. Por aqui, os compradores dominam o pregão. Há pouco, a moeda subia 0,79%, a R$ 1,786 na venda. Na máxima o dólar testou R$ 1,792.

O Banco Central mostrou que o fluxo cambial foi positivo em US$ 1,86 bilhão na segunda semana do ano, reflexo de grandes entradas na conta financeira. No mesmo período, as atuações do Banco Central tiraram US$ 476 milhões. O que resulta em saldo líquido de US$ 1,38 bilhão na semana, resultado incongruente com uma alta de 2,43% acumulada pelo dólar no período.

Vale lembrar que, na primeira semana do mês, o fluxo fora negativo em US$ 1,76 bilhão, com saídas financeiras e comerciais. Além disso, o BC tomou do mercado outros US$ 783 milhões por meio dos leilões. O que resultou em saldo líquido negativo de US$ 2,54 bilhão, cifra pouco condizente com a queda de 0,75% acumulado pelo dólar na abertura do ano. Passando para Wall Street, com cerca de meia hora de pregão, o Dow Jones caía 1,17%, enquanto S & P 500 e Nasdaq devolviam 1,04% e 0,99%, respectivamente. Dia cheio na agenda economia e corporativa.

O Bank of America reportou prejuízo de US$ 5,2 bilhões, ou US$ 0,60 por ação, para o quarto trimestre do ano. Um ano antes a perda tinha sido de US$ 2,4 bilhões, ou US$ 0,48 por ação. A previsão era de perda de US$ 0,43 por ação. Descontando alguns itens como pagamento de empréstimos ao Tesouro, a perda seria de US$ 194 milhões. Já o Morgan Stanley anunciou que o lucro de suas operações continuadas somou US$ 413 milhões, ou US$ 0,14 por ação, no trimestre, revertendo um prejuízo de US$ 10,5 bilhões registrado em igual período de 2008. Mas a previsão apontava para ganho em torno de US$ 0,42 por ação.

O Wells Fargo, um dos maiores agentes do mercado de empréstimo imobiliário dos EUA, mostrou lucro de US$ 2,82 bilhões, ou US$ 0,08 por ação, para os três meses finais de 2009. Superando com facilidade a previsão de ganhos de US$ 0,01 por ação. Na agenda econômica, o índice de preços ao produtor americano (PPI, na sigla em inglês) avançou 0,2% em dezembro, contra projeção de estabilidade. Já o núcleo do indicador, que tira alimentos e energia da conta, mostrou estabilidade.

O setor imobiliário voltou a dar sinais de fraqueza. A construção de novas moradias caiu 4% em dezembro, para 557 mil unidades. No ano foi registrada uma queda de 39%, pior resultado já registrado pelo Departamento de Comércio.

(Eduardo Campos | Valor)

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