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20/01/2010 - 08h07

Bovespa voltou a subir e dólar saiu a R$ 1,772 ontem

SÃO PAULO - Pregão sem direção única para os mercados brasileiros na terça-feira. Apoiada no bom humor externo, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) garantiu alta, mas não retomou os 70 mil pontos. Já o dólar voltou a ganhar valor contra o real. E dados ruins de inflação estimularam o acúmulo de prêmios de risco no mercado de juros futuros.

O dia começou com viés negativo para as bolsas aqui e no mercado externo, mostrando certa apreensão dos agentes com os resultados do Citigroup. O banco fechou o quarto trimestre com um prejuízo de US$ 7,6 bilhões, ou US$ 0,33 por ação, reflexo do custo para sair do programa de auxílio do governo americano, que ainda detém 27% do capital da instituição. A perda esperada era de US$ 0,30 por ação. Tirando os gastos extraordinários, o resultado ainda é negativo em US$ 1,4 bilhão.

No entanto, os agentes foram procurar nas linhas do balanço algum motivo para compras e acharam uma redução nas perdas com a concessão de crédito ao consumidor nos EUA e América Latina.

No final das contas, o ímpeto comprador prevaleceu em Wall Street, onde o Dow Jones terminou com alta de 1,09%, enquanto o S & P 500 e o Nasdaq apontaram alta de 1,25% 1,42%, respectivamente.

Essa puxada de alta lá fora também estimulou as ordens de compra na Bovespa, que voltou a fechar em alta. Vale e OGX ajudaram, mas Petrobras voltou a perder valor. Com isso, o ganho foi limitado a 0,71%, para 69.908 pontos, com giro financeiro de R$ 5,6 bilhões.

Segundo o diretor da Elite Corretora, Otto dos Santos, o que continua segurando um melhor desempenho do papel da Petrobras é a indefinição sobre o processo de capitalização da empresa pelo governo.

Para Santos, é necessário fazer uma crítica quanto a essa especulação em torno do aumento de capital. O ponto é que enquanto o governo entra com barril de petróleo, o minoritário terá que colocar dinheiro.

Na visão de santos, controlador de minoritário têm que entrar com o mesmo ativo. "A Comissão de Valores Mobiliários tem que se pronunciar sobre isso", apontou Santos.

Ampliando a análise, Santos acredita que a Bovespa vai dar alegria aos investidores em 2010, podendo passar dos 80 mil pontos ao longo do ano. Agora, se o governo começar mesmo a subir a taxa Selic em abril, como sugere o consenso de mercado, o índice pode perder um pouco de fôlego.

No entanto, as compras podem encontrar fundamentação nos bons resultados trimestrais das empresas.

Fora do índice continua a festa da chamada quinta linha, Telebrás PN saltou 37,79%, a R$ 1,75, com mais de R$ 195 milhões em negócios, quarto maior volume do dia. Já Telebrás ON subiu 35,43%, a R$ 1,72. Forte volume também para Brasil Ecodiesel ON, que ganhou 1,44%, a R$ 1,40, com mais de R$ 140 milhões transacionados.

Passando para o câmbio, parece se concretizar a visão que alguns analistas apresentaram no final do ano passado de que o real perdeu o apelo de moeda para especulação. Além disso, as compras se justificam por expectativas de menor saldo comercial, Tesouro comprando dólar, maiores remessas de lucro e fraqueza do euro no mercado externo. Outro ponto de vista é que a especulação apenas virou a mão, agora é contra o real.

Com mínima de R$ 1,771 e máxima de R$ 1,782, o dólar comercial encerrou o dia em alta de 0,28%, custando R$ 1,770 na compra e a R$ 1,772 na venda.

Na roda de "pronto" da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o dólar subiu 0,27%, para R$ 1,7727. O volume caiu para menos da metade, para US$ 33,25 milhões, enquanto os negócios no interbancário recuaram de US$ 1,69 bilhão para US$ 1 bilhão.

"O real acompanhou o mercado de fora, seguiu o movimento do euro, que também perdeu valor para o dólar. No Brasil, ainda permanecem as dúvidas em relação ao Tesouro e ao déficit em transações correntes. Assim, em toda oportunidade que tem, o mercado compra" , pontuou Carlos Allievi, gestor da Infinity Asset.

Sem previsão para o início das compras da moeda estrangeira, o Tesouro Nacional segue assustando os operadores, que têm se " garantido " com o aumento das compras, tendo em vista a futura atuação dupla do governo, já que o BC não dá sinais de que irá interromper os leilões.

Nos juros, o aumento nos prêmios de risco foi ditado pela inflação medida pelo Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), e pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC) no município de São Paulo, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). As duas medições superaram o previsto.

Os dois indicadores refletiram, principalmente, o reajuste das tarifas de ônibus urbano em São Paulo e o aumento dos preços de alimentos.

O IGP-M registrou alta de 0,51% na segunda prévia de janeiro, forte aceleração em relação à deflação de 0,18% apurada em igual período de dezembro. Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subiu 0,74% na segunda medição de janeiro, aceleração de 0,55 ponto percentual em relação ao mesmo período do mês passado. "Os dados de inflação abrem a possibilidade de uma elevação dos juros não em abril, mas em março. O número importante sairá na sexta e ele irá nortear o mercado. Se ele vier acima do previsto, o Focus já deve projetar o aumento dos juros em março", alertou o sócio-gestor da Leme Investimentos, Paulo Petrassi.

Na previsão da Leme Investimentos, o IPCA-15 deve apurar inflação de 0,45% no primeiro mês do ano, depois de subir 0,38% em dezembro. A instituição estima que o aperto monetário terá início em junho, porém, se a aceleração do IPCA-15 superar sua projeção, o ciclo poderá ser antecipado para a reunião de março. A Leme aposta na elevação da taxa Selic em dois pontos percentuais, para 10,75% ao ano.

Ao final da jornada, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido do dia, subia 0,07 ponto na Bolsa de Mercadoria e Futuro (BM & F), para 10,34%. Já o vencimento para janeiro de 2012 ganhava 0,04 ponto, a 11,72%, enquanto o contrato do primeiro mês de 2013 tinha alta de 0,03 ponto, a 12,33%.

Na ponta curta da curva, o DI de julho de 2010, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre, subia 0,04 ponto, a 9,14%, enquanto o contrato de abril de 2010 estava estável, a 8,70%, assim como a taxa de março de 2010, a 8,67%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 505.180 contratos, equivalentes a R$ 44,485 bilhões (US$ 25,103 bilhões), acima do total registrado na segunda-feira, de R$ 29,4 bilhões. O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 254.895 contratos, equivalentes a R$ 23,213 bilhões (US$ 13,099 bilhões).

(Eduardo Campos e Beatriz Cutait | Valor)

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