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20/01/2010 - 12h40

Dólar volta a ganhar força em relação ao euro e ao real

SÃO PAULO - Mais uma vez pressionado em relação ao dólar, o euro desvalorizado volta a refletir no mercado de câmbio mundial, e a moeda brasileira não escapa do movimento. Em alta ao longo de toda manhã, há pouco, o dólar se apreciava em 0,73% na comparação com o real, transacionado a R$ 1,783 na compra e a R$ 1,785 na venda. Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o dólar futuro, com vencimento em fevereiro, subia 0,78%, a R$ 1,788.

No front externo, o déficit fiscal da Grécia e a possível recusa dos países que integram a União Europeia em salvar aquela economia seguem assustando o mercado .

" O driver do dia para a valorização do dólar no Brasil está sendo a forte desvalorização do euro. Na Europa, estão pesando as questões ligadas à Grécia e a fala de mais um membro do comitê executivo do Banco Central Europeu (BCE), que voltou a reiterar que o país terá que resolver seus problemas sozinho e que não deverá receber ajuda " , assinala o analista econômico da CM Capital Markets, Luciano Rostagno.

Segundo ele, a expectativa de que os Estados Unidos tenham sua taxa básica de juros elevada antes da Zona do Euro também está contribuindo para a maior valorização do dólar.

No Brasil, ainda influenciam a trajetória do câmbio os dados do setor externo divulgados pelo Banco Central (BC). A conta corrente do Balanço de Pagamentos brasileiro superou a previsão da instituição, ao registrar resultado negativo de US$ 24,334 bilhões em 2009, o correspondente a 1,55% do Produto Interno Bruto (PIB). O BC esperava um resultado negativo de US$ 22 bilhões.

Apenas em dezembro de 2009, as transações correntes apresentaram déficit de US$ 5,947 bilhões, pior que o resultado verificado no mesmo mês de 2008, quando o déficit equivaleu a US$ 3,119 bilhões.

Já a entrada de investimentos externos diretos (IED) líquidos no Brasil foi de US$ 25,949 bilhões em 2009, montante pouco superior ao previsto pelo BC, de US$ 25 bilhões. Em dezembro apenas, foi registrada entrada de US$ 5,109 bilhões em investimentos externos diretos.

" Os números da conta corrente vieram pior que o esperado, mas o IED foi melhor. Há uma preocupação em relação à deterioração da conta corrente neste ano, já que, em função do maior crescimento do Brasil em relação à média da economia global, poderemos ter um aumento do déficit. Aumentam-se os temores de incapacidade do Brasil em se financiar e, num ambiente de mudanças da situação econômica global, há um aumento da reversão ao risco, e o ajuste teria que ocorrer via câmbio " , pontua Rostagno.

Diante dos episódios recentes que têm mexido com o mercado, a CM Capital revisou nesta semana sua projeção para a cotação do dólar ao final deste ano, de R$ 1,75 para R$ 1,85. " Não vejo ainda no cenário uma perspectiva de valorização mais acentuada do dólar, mas vejo menor espaço para apreciação do real. " (Beatriz Cutait | Valor)

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