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20/01/2010 - 14h36

Relação da conta corrente com o PIB é o que importa, diz BC

BRASÍLIA - Apesar de avaliações em contrário, o chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Altamir Lopes, mantém a postura de que a piora acelerada nos resultados das contas do país com o exterior "não é motivo de preocupação". Mudou a estrutura do endividamento e as fontes de financiamento "são mais seguras", argumenta.

Ele sustentou ainda ser mais importante a relação com o Produto Interno Bruto (PIB dolarizado). Em 2009, o resultado da conta corrente correspondeu a 1,55% do PIB, inferior a 1,72% de 2008.

Para 2010, o BC projeta que o déficit ficará na casa dos 2% do PIB, " um patamar razoável " , considera. "É bom lembrar que no passado essa relação foi bem mais elevada", disse, citando o pico de 4,32% do PIB em 1999. Depois disso, a conta corrente começa uma trajetória de queda, registrando superávits de 2003 a 2006, com piora nos últimos dois anos.

Lopes nega que o governo Lula vá deixar as contas externas deterioradas como "herança maldita" a seu sucessor. Ele também questiona projeções do mercado financeiro que apontam para queda do investimento externo direto (IED) em 2011, lembrando que a exploração do petróleo na camada de pré-sal deve atrair investimentos pesados.

Que o déficit em conta corrente deve quase dobrar em 2010 sobre 2009, não há dúvida, admite. Para o resultado de US$ 24,33 bilhões negativos ano passado, o BC prevê déficit a US$ 40 bilhões este ano.

"No passado, o país tinha déficits externos maiores e sem capacidade de atrais capitais. Hoje, além da estrutura ser diferente, baseado em investimentos que remetem lucros e não em empréstimos que geram juros, continua entrando recursos, e são recursos permanentes" na forma de IED para o setor produtivo, explica.

O técnico do BC lembra que o ralo principal na saída de divisas hoje são os lucros e dividendos, cuja expectativa de alta acompanha a estimativa de economia em crescimento em 2010. Além de outras pressões de saída de divisas, como viagens internacionais e aluguel de equipamentos no exterior, por exemplo.

A balança comercial é que preocupa, segundo ele, porque o aumento das exportações depende da reação da economia internacional ainda resfriada pela crise. Lopes justifica que as importações vão crescer este ano, depois de recuarem 26% em 2009 sobre 2008, pela necessidade de retomada dos investimentos.

Mas o enorme déficit da conta corrente esperado para 2010 deve ser coberto pelo ingresso de capitais externos, como IED, que tem previsão de US$ 45 bilhões. Acima, portanto, do déficit recorde de US$ 40 bilhões previsto para a conta corrente, destacou o técnico do BC.

O país fechou 2009 com IED em US$ 25,9 bilhões, 42% inferior aos US$ 45,08 bilhões da posição recorde em 2008. A expectativa de Lopes de manutenção do ingresso de IED no país pressupõe um cenário sem "soluços" da crise do ano passado.

(Azelma Rodrigues | Valor)

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