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26/01/2010 - 18h15

DIs sobem e refletem dúvidas do mercado quanto ao controle da inflação

SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros tiveram um pregão de alta, pressionados pelo resultado do Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) em janeiro, que ficou acima do teto das expectativas do mercado, e pelo ceticismo do mercado quanto às ações do governo no combate à inflação.

O IPCA-15 saiu de uma alta de 0,69% no fim de 2010 para um avanço de 0,76% no primeiro mês deste ano. O economista-sênior do Espírito Santo Investment Bank, Flávio Serrano, diz que mais do que o resultado em si, chama a atenção a decomposição do indicador.
"O grupo Transportes surpreendeu um pouco, mas trata-se de um ajuste pontual, que ficará concentrado em janeiro e fevereiro. O que é complicado é a forte pressão inflacionária originada por itens relacionados à prestação de serviços", explica Serrano.

O economista lembra que os dados de inflação têm sido reflexos de "uma economia muito aquecida", com forte crescimento do mercado de trabalho e recomposição da renda real. Em sua opinião, esse quadro confirma a necessidade de uma postura rígida na política monetária.
Para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, a curva de juros está indicando uma alta da Selic de cerca de 0,6 ponto percentual, atualmente. "Há uma divisão no mercado entre as apostas em um aumento de 0,50 ponto percentual e de 0,75 ponto da taxa básica de juros, em março", explica.
A avaliação de Serrano é que o BC não tem sido rígido o suficiente no combate à inflação e isso já começou a criar no mercado "certo ceticismo em relação à capacidade do governo de trazer a inflação para baixo".
Hoje o BC divulgou que o volume global de crédito do sistema financeiro cresceu 1,6% em dezembro de 2010, para R$ 1,704 trilhão, o correspondente a 46,6% do Produto Interno Bruto (PIB).
No ano, a expansão foi de 20,5%, contra 15,2% de um ano antes. Entre as modalidades de crédito a pessoas físicas, os financiamentos para aquisição de veículos e o crédito pessoal assinalaram, em dezembro, arrefecimento relativamente a novembro.

"Os dados da autoridade monetária revelaram que as medidas macroprudenciais anunciadas em dezembro começaram a surtir, mediante a queda expressiva nas concessões", afirma Serrano. Mas ele adverte que ainda é preciso esperar para ver se elas serão suficientes para levar a inflação à meta de 4,5%.
Em dezembro do ano passado, a autoridade monetária anunciou uma série de medidas para conter o crédito, entre elas o aumento de 15% para 20% da alíquota do compulsório sobre depósitos a prazo e de 8% para 12% da alíquota adicional de compulsório sobre depósitos à vista e a prazo. Além disso, decidiu elevar o requerimento de capital próprio dos bancos para a concessão de crédito às pessoas físicas com prazo superior a 24 meses.

Antes do ajuste final das posições, tanto o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em fevereiro deste ano quanto o de março de 2011 operavam estáveis, ambos no patamar de 11,14%. Já o contrato de abril de 2011 subia 0,02 ponto, para 11,40%, ao passo que o DI de julho deste ano registrava valorização de 0,03 ponto percentual, para 11,94%. Por fim, o DI de janeiro de 2012 tinha ganho de 0,05 ponto, para 12,47%.
Entre os DIs de prazos mais dilatados, o contrato de abertura de 2013 apresentava alta de 0,09 ponto, a 12,86%. O DI de janeiro de 2014 subia 0,12 ponto, a 12,84%. Os contratos com vencimentos no primeiro mês de 2015, em janeiro de 2016 e na abertura de 2017 também tinham ganho de 0,12 ponto cada um, para 12,74%, 12,58% e 12,53%, respectivamente.
Até as 16h10, foram negociados 1,536 milhão de contratos, equivalentes a R$ 139,83 bilhões (US$ 83,51 bilhões). Em relação ao pregão de segunda-feira, o número de contratos quase triplicou. O contrato com vencimento em fevereiro deste ano foi o mais negociado, com 506.005 contratos, equivalentes a R$ 50,515 bilhões (US$ 30,15 bilhões).
Amanhã, será divulgada a ata do Copom. O economista-sênior do Espírito Santo Investment Bank afirma que a ata deve ser clara e mostrar que o BC está olhando de forma conservadora para a deterioração da inflação. "O BC está lutando para reconquistar sua credibilidade. Além de manter uma comunicação clara com o mercado, precisa agir na prática", opina.
Serrano lembra que a credibilidade do BC foi colocada em xeque no ano passado, quando o relatório de inflação divulgado no primeiro trimestre de 2010 trazia um sinal diferente do que tinha sido divulgado na ata anterior.
"A ata era mais conservadora do que o relatório. Já em setembro, parte do mercado achou que o BC não estava sendo rígido o suficiente no controle da inflação, que estava se deteriorando. Isso levou a uma descrença dos investidores com relação à atuação da autoridade monetária", finaliza.
O Tesouro realizou hoje leilão tradicional de Notas do Tesouro Nacional - Série B (NTN-B) e conseguiu a venda de 821,059 mil títulos de um total de 900 mil de notas ofertadas, com movimento financeiro de R$ 1,644 bilhão.

(Karin Sato | Valor)
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