UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

26/01/2010 - 16h58

Merrill Lynch responde 10 principais questões sobre o Brasil em 2010

SÃO PAULO - O Bank of America Merrill Lynch apresentou e respondeu o que considera ser as 10 principais questões que os investidores estão ponderando sobre o Brasil em 2010, envolvendo crescimento, inflação e taxa de juros.

A primeira pergunta é: O crescimento continuará se acelerando em 2010? Para o banco a resposta é não. Embora o crescimento deva aumentar, atingindo cerca de 7% ao ano no primeiro trimestre, isso é resultado de uma base de comparação baixa. "Acreditamos que o pico de crescimento aconteceu no quarto trimestre."
A inflação é uma grande preocupação? Novamente a resposta do Merrill Lynch é não. O mercado se mostra muito preocupado tomando como base fatores sazonais que pressionam os preços no começo do ano.

Quanto e por quanto tempo o Banco Central irá subir a taxa Selic? Os economistas da instituição trabalham com alta de 0,25 ponto percentual em junho, seguida de três altas de 0,5 ponto, que levariam a taxa básica para 10,5% em outubro.

A política vai desviar os avanços macroeconômicos? Mais uma vez a resposta é não, mesmo o banco considerando que o mercado subestima o risco de mudanças políticas após as eleições.

Aonde as coisas podem dar errado? Novamente o banco pondera o quadro eleitoral, avaliando que as eleições podem trazer mudanças não necessariamente positivas. Fora isso, um choque no preço de commodities representaria um risco à perspectiva de ajuste de juros com a qual o banco trabalha.

A situação fiscal vai continuar se deteriorando? O Merrill Lynch acredita que não. Embora volátil, as receitas do governo cresceram no final do ano passado. E existem sinais de que o ministério da Fazenda está mais ciente das limitações fiscais. Ainda nesse quesito, o banco lembra que o governo se mostra comprometido em cumprir a meta de 3,3% do PIB de superávit primário, o que resultaria em déficit nominal inferior a 1% em 2010.

O déficit em conta corrente é uma força desestabilizadora? Novamente, os economistas do Merrill Lynch acreditam que não. Embora a instituição preveja que o déficit dobrará todos os anos pelos próximos dois anos (de US$ 24 bilhões em 2009, para US$ 42 bilhões em 2010 e US$ 92 bilhões em 2011), tal movimento é encarado de forma positiva.
"O déficit nada mais é do que a percepção de que há investimentos atrativos para se fazer no país. E isso vai permitir que a formação de capital cresça de forma muito mais acelerada do que se fosse financiada apenas com a poupança doméstica."
O crescimento continuará sendo determinado pela demanda doméstica? Sim, diz o Merrill Lynch, que trabalha com um crescimento de 4,9% do consumo privado em 2010, resultado da força do mercado de trabalho e da expansão do crédito.

Qual é o rumo do real? O banco espera um fortalecimento da moeda brasileira para a linha de R$ 1,62 até o final do ano. No entanto, o caminho até lá será tortuoso. A divisa brasileira pode seguir operando dentro de um faixa estreita na linha de R$ 1,75 conforme continua o cabo de guerra entre fluxo externo e intervenção do governo.

Apesar do forte crescimento das importações, o banco avalia que o suporte estrutural à moeda brasileira continua existindo. Como mencionado acima, embora o déficit em conta corrente continue aumentando, o resultado final do balanço de pagamentos deve permanecer favorável, resultado do Investimento Estrangeiro Diretor (IED) dos investimentos em portfólio.

E por fim, o que fazer no mercado de juros futuros? A recomendação é se posicionar para uma eventual queda na taxa futura.
Segundo o banco o aperto monetário precificado pelo mercado estaria exagerado. Enquanto o Merrill Lynch espera uma alta de 1,75 ponto percentual na Selic, a curva futura embute um ajuste de aproximadamente 4 pontos percentuais.

(Eduardo Campos | Valor)

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host