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26/01/2010 - 16h18

Na véspera da decisão do Copom, DIs curtos acumulam prêmios de risco

SÃO PAULO - Um dia antes do anúncio da decisão do Banco Central (BC) na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que tem início nesta terça-feira, os contratos de juros futuros acumularam prêmios de risco na ponta curta da curva, enquanto foi verificada uma redução das posições compradas entre os Depósitos Interfinanceiros (DIs) com vencimentos mais longos.

A expectativa dos agentes do mercado em relação ao comunicado que será divulgado após o encontro do Copom está refletindo na trajetória dos juros futuros negociados na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), em meio à possibilidade de o BC iniciar o aperto monetário mais rapidamente que o previsto.

"O Banco Central deve manter a taxa Selic nesta reunião, mas pode deixar alguma sinalização para um aumento na próxima. Em função dessa possibilidade, o mercado já está antecipando a alta da Selic nos DIs", comentou o economista da Souza Barros, Clodoir Vieira.

A instituição espera que a elevação da taxa básica de juros já ocorra na reunião de março, com o aumento da Selic em 0,25 ponto percentual, possibilidade reforçada pela aceleração da inflação no início deste ano. Para a Souza Barros, em dezembro de 2010, a taxa corresponderá a 10,75% ao ano.

Ao fim da jornada, o DI com vencimento em julho de 2010, contrato que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre, avançava 0,03 ponto, a 9,19%, enquanto o contrato para abril operava estável, a 8,705%, e março de 2010 subia 0,003 ponto, a 8,663%.

Na ponta mais longa da curva, o DI com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido do dia, também tinha alta de 0,03 ponto, a 10,40%. Já o contrato para janeiro de 2012 perdia 0,05 ponto, a 11,76%, enquanto o do mesmo mês de 2013 caía 0,07 ponto, a 12,33%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 547.475 contratos, equivalentes a R$ 49,341 bilhões (US$ 27,119 bilhões). O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 233.380 contratos, equivalentes a R$ 21,280 bilhões (US$ 11,696 bilhões).

Na gestão da dívida pública, o Tesouro teve venda integral de 2 milhões de títulos ofertados no leilão de Notas do Tesouro Nacional Série B (NTN-B), a R$ 3,695 bilhões.

O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, criticou hoje os especuladores, que estão, segundo ele, pintando um cenário negativo para o Brasil e exigindo juros mais altos para rolar os papéis públicos. "Não estamos sancionando taxas que achamos elevadas. Só vamos emitir àquelas taxas que achamos convenientes, pois isso é o que chamamos de melhor gerenciamento. Não estamos pressionados por um aumento de prefixados e nem pelos vencimentos do ano", afirmou.

Augustin ainda disse que será em fevereiro o lançamento do novo papel prefixado de longo prazo, a NTN-F, com cupom semestral e prazo de 10 anos. Será o prefixado mais longo e "vai ajudar a aumentar a curva pré de juros", observou.

(Beatriz Cutait | Valor)

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