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29/01/2010 - 18h55

Bovespa perde 4,65% em janeiro, pior mês desde outubro de 2008

SÃO PAULO - Os compradores bem que tentaram e tiveram ajuda até da agenda de indicadores do dia, mas as ordens de venda voltaram a dominar o pregão na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Depois de subir 1,5%, o Ibovespa terminou a jornada com baixa de 0,28%, aos 65.401 pontos. O giro financeiro ficou em R$ 6,27 bilhões.

Com tal pontuação, o índice fecha a semana devendo 1,24% e acumula perda de 4,65% em janeiro. Além de marcar o pior desempenho mensal desde outubro de 2008, tal resultado põe fim a uma sequência de seis meses consecutivos de valorização.

O analista da SLW Corretora Pedro Galdi lembrou que o pregão começou de forma positiva e que o índice chegou a acentuar alta após a divulgação do PIB dos EUA, que cresceu 5,7% no último quarto de 2009, superando o previsto.

No entanto, ponderou o especialista, o tom nos mercados globais ainda é dado pela aversão ao risco. As dúvidas sobre o rumo da política monetária na China, saúde fiscal de membros da União Europeia e qual será o rumo do embate Obama versus bancos limitam a tomada de posições.

"O que pesa é essa aversão ao risco por medo da recessão em formato de "W". Se a China brecar seu crescimento, como o resto do mundo vai fazer?", questionou o analista.

A bolsa termina janeiro como pior alternativa de investimento. Já o dólar acumulou alta de 8,15%, melhor mês desde outubro de 2008. Em 20 sessões o preço da moeda subiu em 17 delas.

Olhando para fevereiro, Galdi avalia que o mês deve começar volátil. "Temos mais empresas locais mostrando resultado, o que pode movimentar alguns papéis, mas o cenário lá fora vai continuar mandando", resumiu o especialista.

Ainda de acordo com Galdi, outro ponto a ser observado é o comportamento do investidor externo. Em cinco pregões os saques já ultrapassam os R$ 2,52 bilhões.

No front corporativo, o setor elétrico foi destaque de ponta a ponta do pregão mesmo depois da negativa do governo quanto à renovação de concessões via Medida Provisória.

Cesp PNB fechou com alta de 3,48%, a R$ 23,49. Tal medida, se aprovada, beneficiaria em especial a Cesp, que poderia retomar seu plano de privatização. Na máxima o papel bateu R$ 25,45, alta de 12,11%.

Ainda no setor, Eletrobrás ON teve acréscimo de 3,73%, a R$ 40,04, com quarto maior volume do dia, R$ 212 milhões, e maior alta do índice.
Eletrobrás PNB ganhou 3,58%, a R$ 34,70. Vale lembrar que apenas os investidores com posição na empresa na data de hoje terão direito ao recebimento da reserva especial de dividendos.

Entre os carros-chefe, Vale PNA liderou o volume, mas fechou com leve baixa de 0,02%, ou R$ 0,01, a R$ 42,14. Petrobras PN caiu 1,27%, para R$ 34,17. Já OGX Petróleo ON foi alvo de forte venda no final do dia e terminou com baixa de 4,54%, maior queda do índice, a R$ 16,80.

Entre as siderúrgicas, Usiminas PNA voltou a subir, ganhando 1,95%, a R$ 49,60. E no setor financeiro, Itaú Unibanco PN perdeu 2,06%, a R$ 36,13.

O setor aéreo também teve perdas. TAM PN caiu 3,58%, a R$ 34,47, e Gol PN recuou 3,50, para 23,10. Cyreal ON, Cosan ON e TIM PN perderam mais de 2% cada.

As ações ON da Redecard mudaram de lado e caíram 1,42%, a R$ 26,35. A empresa de meios de pagamento apresentou lucro líquido recorrente de R$ 402,5 milhões no quarto trimestre de 2009, o que representou um crescimento de 17,3% em relação ao total apurado em igual período de 2008.

A estreante Aliansce Shopping Centers não testou o terreno positivo. O papel ON da companhia ficou em baixa do começo ao final do pregão até encerrar 2,55% mais barato, a R$ 8,77.
A empresa entrou para o Novo Mercado com a venda de 65 milhões de ações, sendo 50 milhões de novos papéis e 15 milhões de ativos de titularidade do acionista vendedor. A R$ 9,00 cada papel, a operação movimentou R$ 585 milhões.

Fora do índice, o recibo de ação da Laep foi destaque ao movimentar mais de R$ 130 milhões. Mas, depois de subir 10% durante o dia, fechou com baixa de 1,54%, a R$ 2,55. Depois de receber um aporte de R$ 120 milhões do fundo Global Yield Fund Limited, a companhia anunciou que quer converter dívida em ações, como forma de reduzir seu passivo.

Após saltar mais de 13% ontem, o recibo de ação da Agrenco afundou 12,98%, para R$ 3,35. Estava agendada para hoje assembleia de credores.

(Eduardo Campos | Valor)

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