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29/01/2010 - 12h20

De olho em novos sinais do BC, DIs mais longos têm queda na BM & F

SÃO PAULO - Num dia fraco de indicadores domésticos e com o mercado à espera da divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), quando a taxa básica de juros foi mantida em 8,75% ao ano, o mercado de juros futuros opera sem rumo definido na ponta curta da curva e registra baixa nos vencimentos mais longos.

Para o sócio-gestor da Leme Investimentos, Paulo Petrassi, dentre as notícias que devem repercutir no rumo dos contratos de Depósitos Interfinanceiros (DIs) nesta sexta-feira está a expectativa de não renovação pelo governo dos incentivos fiscais concedidos às indústrias de linha branca e automotiva.

" O mercado está vislumbrando que a Fazenda vai fazer de tudo para o Banco Central (BC) postergar ao máximo o início do aperto monetário, já que um dos argumentos para a alta dos juros era de que o governo estava dando incentivos quando eles já não eram mais necessários " , comentou.

Para Petrassi, embora o BC deva endurecer um pouco o discurso na ata que será publicada na quinta-feira, a instituição não deverá indicar a subida dos juros em março.

" Continuamos com a perspectiva de começo do aperto em abril ou junho. Ainda tem muita indefinição no cenário externo e acreditamos que o BC não deve adiantar uma alta de juros, não por causa de eleições, mas pelas dúvidas em relação ao desempenho das economias desenvolvidas " , pontuou o sócio-gestor. A Leme Investimentos projeta a Selic a 10,75% em dezembro, com quatro altas de meio ponto percentual.

Na parte curta da curva, o Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em julho de 2010, que divide as apostas entre alta de juro no primeiro ou segundo semestre, projetava taxa de 9,10%, decréscimo de 0,01 ponto, enquanto o contrato para março deste ano subia 0,01 ponto, para 8,64%. O DI de abril tem leve queda de 0,005 ponto, a 8,68%.

Entre os contratos longos, o DI para janeiro de 2011, referência de mercado, registrava, há pouco, recuo de 0,02 ponto percentual, a 10,30%, enquanto o contrato de janeiro de 2012 cedia 0,03 ponto, a 11,70%, e o do início de 2013 descia 0,04 ponto, a 12,27%.

Em um dia fraco no front doméstico, apenas a Fundação Getúlio Vargas (FGV) revelou que o Índice de Confiança da Indústria (ICI) registrou o 12º aumento seguido, ao atingir 113,6 pontos em janeiro, depois dos 113,4 pontos apurados em dezembro de 2009, na série com ajuste sazonal. Segundo a FGV, a leitura do levantamento sugere " manutenção do aquecimento do mercado interno, com alguma acomodação da produção em janeiro e otimismo em relação ao ambiente de negócios durante o primeiro semestre do ano " .

A FGV ainda revelou que o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) ficou estável de dezembro de 2009 para janeiro deste ano, após oito meses de contínua elevação. O nível dos dois últimos meses, de 83,8%, é o maior registrado desde outubro de 2008 (85,1%).

(Beatriz Cutait | Valor)

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