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29/01/2010 - 16h37

DIs perdem prêmios com a manutenção do Nuci em janeiro

SÃO PAULO - Em um dia de agenda mais vazia no front doméstico, o mercado de juros futuros registrou queda, levando ao fechamento da curva.

Único destaque do dia com relevância para o mercado, o Índice de Confiança da Indústria (ICI), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), registrou o 12º aumento seguido, ao atingir 113,6 pontos em janeiro, depois dos 113,4 pontos apurados em dezembro de 2009, na série com ajuste sazonal.
A surpresa do levantamento ficou por conta do Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci), que ficou estável de dezembro de 2009 para janeiro deste ano, após oito meses de contínua elevação.

"O Nuci de janeiro foi uma surpresa, principalmente depois do último Relatório de Inflação, em que o Banco Central (BC) indicou um tom de preocupação com a recuperação rápida do nível do Nuci. A partir de então, o dado ganhou muita importância. O Nuci de dezembro foi muito forte e o de janeiro foi uma boa notícia para os juros", afirmou o analista econômico da Mercatto Investimentos, Gabriel Goulart.

No último Relatório de Inflação, o BC ressaltou que, em um exercício que considerava a manutenção da expansão trimestral de 1,8 ponto percentual registrada no Nuci em novembro, o indicador atingiria 86,5% em maio de 2010, patamar apenas 0,2 ponto inferior ao recorde, de junho de 2008, da série iniciada em abril de 1995.

"Nesse cenário, a condução da política monetária deverá passar a considerar não apenas as perspectivas de retomada efetiva dos investimentos na capacidade produtiva da indústria e os prazos de maturação destas inversões, quanto os efeitos defasados dos estímulos de política econômica adotados no período recente", ressaltou a instituição, na época.

Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), ao final da jornada, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido do dia, recuava 0,01 ponto, a 10,31%. O vencimento para o início de 2012 perdia 0,04 ponto, a 11,69%, enquanto janeiro de 2013 caía 0,06 ponto, a 12,25%.

Entre os vencimentos curtos, julho de 2010, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre, cedia 0,01 ponto, a 9,10%, enquanto o DI de abril recuava 0,008 ponto, a 8,67%, e março, exceção do dia, subia 0,01 ponto, a 8,64%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 819.785 contratos, equivalentes a R$ 73,988 bilhões (US$ 39,864 bilhões), abaixo do registrado ontem (R$ 85,813 bilhões). O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 336.545 contratos, equivalentes a R$ 30,748 bilhões (US$ 16,567 bilhões).

Esta semana foi marcada pela divulgação de indicadores que mostraram mais uma vez a aceleração da inflação, pela elevação das expectativas para um patamar de 4,6% em 2010, acima do centro da meta do governo (4,5%), e pela reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).

Ao adotar um discurso mais lacônico, em que não mencionou a "margem de ociosidade remanescente dos fatores produtivos" e a trajetória de inflação, o BC sinalizou ao mercado que de fato elevará a taxa básica de juros, mas indicou que o aperto não terá início na próxima reunião em março.

Para a próxima semana, o maior foco estará naturalmente na ata a ser divulgada quinta-feira pelo BC. O período, entretanto, ainda contará com outros indicadores de peso para o mercado, como os índices de inflação fechados de janeiro, dentre os quais o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), além da Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física (PIM-PF) de dezembro e do desempenho da indústria automotiva neste mês.

(Beatriz Cutait | Valor)

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