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29/01/2010 - 20h03

Fundos externos sacam US$ 128 milhões do Brasil em uma semana

SÃO PAULO - A preocupação com o aperto monetário na China e a deterioração das contas públicas em diversos países, como Grécia e Japão, serviram de gatilho a um forte movimento de correção no preço dos ativos de risco no mundo todo durante a quarta semana de janeiro.
Os dados da EPFR Global sobre a movimentação nos fundos de ativos espelhou bem esse momento de incerteza e fuga para a qualidade. Os Fundos de Ações de Mercados Emergentes marcaram a primeira perda de recursos em 12 semanas. E as carteiras voltadas ao Brasil também não escaparam às ordens de venda.

Considerando todos os fundos com alguma exposição ao país, os saques somaram US$ 128 milhões, segundo levantamento da BTG Pactual, que também tem como base dados da EPFR Global. No acumulado do ano, no entanto, o resultado ainda é positivo em US$ 830 milhões.

Chama atenção que as carteiras dedicadas ao país ainda captaram US$ 62 milhões, mas as retiradas via Fundos de Ações da América Latina ficaram em US$ 115 milhões. E entre os Mercados Emergentes Globais (GEM, na sigla em inglês), a fatia do Brasil foi negativa em US$ 76 milhões.

Os números estão alinhados à movimentação externa captada pela Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Na semana entre 20 e 27 de janeiro, o saldo de negociação direta dos investidores estrangeiros foi negativo e R$ 2,52 bilhões.

Voltando aos números da EPFR Global, os Fundos de Ações da América Latina viram US$ 220 milhões irem embora, maior saque em 29 semanas. Nos diversificados GEM, os saques atingiram a maior soma das últimas 23 semanas. Retiradas também foram captadas nas carteiras com foco nos Emergentes da Europa, Oriente Médio e Áfria (EMEA, na sigla em inglês).

Contrariando o senso comum, os Fundos de Ações da China não foram os grandes perdedores de recursos. De fato, os veículos com foco no país levantaram US$ 288 milhões na semana encerrada dia 27. Segundo a EPFR Global os investidores aplaudiram o governo chinês, que age de forma antecipada na contenção de bolhas e na prevenção de um superaquecimento econômico.

Outro ponto a chamar atenção é que enquanto os investimentos em ações perderam força, os Fundos de Bônus Emergentes tiveram captação de US$ 572 milhões. O grupo Fundos de Bônus Emergentes em Moeda Local ficou com US$ 512 milhões, resultado recorde.

Tal constatação, aliada ao fato de que os "money marker funds", tradicional porto seguro em momentos de incerteza, perderam US$ 10 bilhões na semana, sugere que o apetite por mais risco e maiores retornos está longe de ter acabado.

Expandindo a análise, todos os fundos de ações perderam US$ 9 bilhões no período, enquanto isso, todas as carteiras de títulos captaram US$ 4,8 bilhões. Com isso, os Bond Funds passaram a marcar saldo positivo em todas as semanas desde 11 de março de 2009.
Embora os mercados emergentes tenham perdido apelo na semana, isso não se transformou em motivo de maior alocação de dinheiro para os países desenvolvidos.

Os Fundos de Ações dos EUA perderam US$ 8 bilhões na semana encerrada dia 27, maior saque desde o final de junho do ano passado. Além das questões envolvendo a China e os déficit da Europa, os gestores ponderaram as propostas de reforma do setor financeiro.
Perdas também na Europa, onde os fundos ficaram US$ 731 milhões mais magros. Balanços pouco animadores e renovadas dúvidas sobre a saúde financeira de bancos e de alguns países da região pesaram sobre as decisões de investimento.

Destoando, os Fundos de Ações do Japão ganharam dinheiro novo, mesmo com um noticiário pouco favorável, como o rebaixamento de perspectiva de rating soberano em função do endividamento público.

Cada um dos fundos setoriais teve seu motivo para os saques. Fracos resultados trimestrais e perspectivas pouco brilhantes para os lucros de 2010 resultaram em perda para as carteiras de Finanças e Tecnologia.

Já as dúvidas quanto à manutenção do apetite da China por commodities contribuiu para que os setoriais de Commodities perdessem dinheiro pela quarta semana seguida. Os grupos Energia e Bens de Consumo também foram alvo de saques.

O único setorial a receber dinheiro novo foi de Serviços Públicos. Visto como mais defensivo, o grupo ganhou US$ 197 milhões.

(Eduardo Campos | Valor)

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