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29/01/2010 - 09h45

Jirau antecipa geração para melhorar retorno

SÃO PAULO - A concessionária Energia Sustentável do Brasil (ESBR) anunciou ontem que a partir de novembro de 2012 a usina de Jirau, no rio Madeira, estará gerando à plena capacidade. Isso significa que 2 mil megawatts (MW) de energia vão entrar no sistema elétrico brasileiro três anos antes do prazo previsto no edital de licitação. O objetivo de antecipar a construção da usina é tentar fazer com que ela dê retorno a seus acionistas, que estavam estudando alternativas para evitar prejuízos.
Antecipando a geração, a empresa pode vender livremente a energia por preços mais altos do que os vendidos no leilão em 2008. A vitória para os sócios Suez, Eletrosul, Chesf e Camargo Corrêa foi obtida com um lance agressivo em que 70% da energia da usina precisa ser entregue por R$ 71,40 o MWh. Esse valor não retorna nem os investimentos previstos em R$ 11 bilhões, por isso a composição com a venda no mercado livre é fundamental, segundo contam algumas fontes próximas às empresas sócias do empreendimento.
O grande problema para os sócios de Jirau se deu por causa da queda nos preços do mercado livre de energia, em função da crise econômica. Em meados de 2008, quando o leilão foi realizado, era fácil vender a energia por até R$ 150 o MWh. Hoje é difícil vendê-la mesmo que por R$ 130, a ponto de a Suez ter tentado convencer o governo a deixá-la vender os megawatts no leilão de energia nova do governo, ou seja, para o mercado cativo.

A retração e a sobra de energia se deu em função dos grandes consumidores que cortaram produção e consequentemente o consumo de energia, fazendo com que haja uma sobra estrutural até 2014. Essa sobra só tende a aumentar com o anúncio feito ontem pelos presidente da ESBR, Victor Paranhos. De qualquer forma, mesmo que venda a energia mais barata no mercado livre, a usina pode melhorar o retorno sobre o investimento.

Basicamente, a ideia é construir ao mesmo tempo as duas casas de força da usina, nas duas margens do rio Madeira, em Porto Velho. O diretor institucional da concessionária, José Lúcio Arruda, diz que mesmo com o desvio do rio é possível construir simultaneamente as duas casas de força e também o vertedouro. Além disso, foi fechado um acordo com os chineses da Dongfang para que entreguem as turbinas antecipadamente. A previsão era de que essas turbinas só chegassem ao Brasil a partir de 2014. Mas o outro consórcio de fornecimento liderado pela Alstom também precisa antecipar as entregas.
A primeira das 46 turbinas vai entrar em operação em março de 2012 e até novembro todas elas estarão operando. De acordo com Arruda, o pedido de antecipação do cronograma da obra foi entregue à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Mas o anúncio foi feito ontem em Porto Velho depois que a concessionária acertou a antecipação com a Camargo Corrêa, que é a construtora contratada para a empreitada das obras civis.

Com o anúncio Jirau se adianta em relação à usina de Santo Antônio, que apesar de ter antecipado o cronograma para início da operação em dezembro de 2011 não irá ter a energia total assegurada sendo produzida nesse período. Um dos entraves que foi enfrentado para a antecipação de Santo Antônio era a questão da transmissão da energia. Isso porque as linhas de transmissão que vão ligar as usinas do Madeira ao Sudeste do país têm um cronograma montado em torno dos prazos previstos anteriormente para a entrada em operação das duas usinas.
De qualquer forma, é possível escoar a energia para o Norte do país até que os linhões fiquem prontos. No comunicado divulgado pela ESBR, a empresa diz que a antecipação só foi possível em função do apoio do governo federal e do BNDES. O banco vai emprestar mais de R$ 7 bilhões para a construção da usina.
A usina está sendo construída desde o ano passado e na margem direita do rio acontecem os trabalhos de escavação na Casa de Força I. Também está sendo feita, neste momento, a concretagem do vertedouro, que deve utilizar até o final de sua construção um total de 473 mil m3 de concreto. Já na margem esquerda, a concessionária informou que por enquanto as atividades se resumem a oferecer infraestrutura e preparar a área onde será implantada a Casa de Força II, que terá 18 unidades geradoras da Dongfang.

(Josette Goulart | Valor)

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