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29/01/2010 - 15h32

Uso da capacidade instalada deve terminar 2010 em 86%, diz FGV

SÃO PAULO - O economista da FGV, Aloisio Campelo, afirmou hoje que o indicador de nível de utilização da capacidade instalada pode terminar 2010 em um intervalo entre 85% e 86%. Entre os setores, a maior pressão deve vir do de bens intermediários.

O nível de utilização da capacidade instalada na indústria atingiu 83,8% este mês, o que denota estabilidade na comparação com dezembro do ano passado, de acordo com o Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas.

O percentual é superior à média de dez anos, de 82,3%. A FGV pontuou ainda que o indicador vem subindo nos últimos meses, dada a recuperação da economia. Em outubro, ficou em 82,5% e, em novembro, em 82,9%. Os dados já contam com ajuste sazonal.

No entanto, a utilização da capacidade instalada ainda não retornou ao nível pré-crise. Em junho de 2008, esse indicador estava em 86,7%. "Foi um período virtuoso. As empresas estavam investindo e, vale lembrar, não havia pressão inflacionária", disse Campelo.

Na análise por setores, verifica-se que, na comparação com dezembro, apenas o de bens de consumo teve queda no uso da capacidade, passando de 85,8% para 85,4%. Já o de bens de capital aumentou de 80,9% para 82%; o de material para construção passou de 86,2% para 89,1%; e o de bens intermediários teve alta de 84% para 84,6%.

O economista explicou que os setores de maior peso no indicador são o de bens de consumo e o de bens intermediários. Segundo ele, a tendência agora é que o indicador continue a crescer, mas em um ritmo menor. Entre os fatores que podem limitar o aumento da utilização da capacidade instalada estão a demanda externa e o endividamento do consumidor.

"No ano passado, as pessoas anteciparam as compras de bens duráveis. Agora elas se deparam com um limite para contrair novos empréstimos. Pesquisas da FGV mostram que o brasileiro avalia positivamente a economia e o emprego, mas não está consumindo muito." Quanto à demanda externa, ele comentou que "a expectativa é de recuperação das exportações, que representam 22% das vendas da indústria brasileira". Entretanto, reiterou que o cenário ainda é incerto.

Para se ter uma ideia, em janeiro, 24,7% das indústrias relataram que a demanda interna está forte, ao passo que apenas 11% disseram o mesmo com relação à demanda externa. Na opinião de 21,5%, a demanda externa é fraca. "É possível que algumas empresas tenham errado a previsão de vendas ao mercado externo, o que resultou em um aumento em seus estoques", disse, referindo-se ao indicador de nível de estoques, que mostrou que 8,3% das indústrias estão com nível excessivo de estoques, um aumento ante os 6,2% obtidos em dezembro. Por outro lado, em janeiro, 5,2% dos industriais relataram que estão com estoque insuficiente.

O indicador que deve retornar ao nível pré-crise este ano é o de emprego previsto. Este mês, o indicador atingiu os 120,8 pontos. Em junho de 2008, antes da crise, tinha registrado 124,8 pontos. A FGV revelou que 26,5% das empresas pretendem contratar nos próximos três meses, enquanto 5,7% pretendem demitir. "Este é o menor percentual de empresas que dizem que irão demitir, em mais de duas décadas", notou Campelo.

(Karin Sato | Valor)

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