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01/02/2010 - 17h38

Alta do açúcar não ameaça produção de etanol, afirma Unica

BRASÍLIA - Apesar de 2009 ter sido um péssimo ano para os produtores de etanol, a União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica) está otimista para 2010. "Não há risco de a produção de etanol ser prejudicada pela alta do açúcar no exterior", garante o diretor técnico da entidade, Antonio de Padua Rodrigues.

Segundo ele, o retorno do crédito no mercado e as mudanças que estão sendo implementadas no processo de comercialização do etanol resultarão em boas oportunidades de negócios para os produtores. O setor tinha a expectativa de esmagar 580 milhões de toneladas de cana em 2009, mas acabou esmagando apenas 530 milhões.

O problema foi ainda maior porque a cana precisa do estresse hídrico causado pela seca para ter mais concentração de sacarose. Com o excesso de chuvas, os produtores amargaram uma queda de 10 quilos de sacarose por tonelada de cana.

"O ano passado foi trágico e apresentou situações muito negativas para o nosso setor. A crise financeira resultou na falta de crédito, e as empresas acabaram ficando sem espaço para novos financiamentos em um momento de carência por capital de giro", explicou Padua.

"O capital de giro só foi obtido com a venda do nosso produto e, com isso, o preço baixou muito entre abril e setembro", acrescentou. "Depois, com a safra não se desenvolvendo por causa da maior incidência de chuva dos últimos 30 anos, a oferta baixou no momento em que a demanda era crescente. Resultado: os preços explodiram a partir de novembro."

Segundo a Unica, o aumento foi de 110%, na comparação entre abril de 2009 e janeiro de 2010. "Saímos do quarto menor preço da última década para um período de intensa alta. E se tem algo que desestimula a expansão de investimentos no setor é justamente essa volatilidade, porque preço muito baixo faz a atividade deixar de ser lucrativa. Preço muito alto afasta o mercado consumidor."

Padua, no entanto, espera resultados positivos neste ano. "Teremos crescimento da oferta e preços altamente remuneradores. O que não foi realizado em 2009 será realizado em 2010, tanto para a exportação de açúcar como para o mercado interno de etanol, com a expectativa de recorde nas vendas de veículos flex pela indústria automobilística."

Ele não vê risco de a alta do açúcar no exterior, por causa da quebra de safra da cana na Índia, desestimular a produção de etanol para o mercado interno.  "Não é porque o açúcar vive um momento de boom, que o produtor vai se arriscar a perder o mercado interno. A crise deixou muito claro esse risco. Portanto, 57% da cana plantada continuará a ter como destino a produção de etanol."

Quanto ao mercado interno, Padua aponta a normatização do processo de comercialização de etanol como algo positivo para o setor em 2010. "A venda de etanol será facilitada com a abertura do mercado para empresas de comercialização do produto, que farão a ponte com os distribuidores".

Segundo ele, já há "quatro ou cinco empresas preparadas" para atuar, "mas muitas estão estudando o mercado". Padua acredita que até final de 2010 cerca de 10 empresas estarão funcionando. "Isso será ótimo para o setor, porque teremos mais compradores. Se eles atuarem de forma especulativa, terão a concorrência das distribuidoras e do limite de preço imposto pela gasolina", argumenta.


Padua explica que tanto a Agência Nacional do Petróleo como o Ministério da Agricultura publicaram portarias determinando que 50% dessas empresas estejam nas mãos dos produtores. Padua elogiou também a criação de contratos de futuro, via Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (BM & F), que permitirão às empresas fazer média de preços para as mercadorias.
(Agência Brasil)

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