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01/02/2010 - 09h41

Argentina busca acordo para usar suas reservas

BUENOS AIRES - Com a renúncia do economista Martín Redrado à presidência do Banco Central, na sexta-feira à noite, o governo argentino tenta agora costurar um acordo com as Províncias para aprovar no Congresso o uso de US$ 6,5 bilhões das reservas internacionais. A Casa Rosada está procurando os governadores de oposição para sinalizar que eles receberão mais recursos federais e obras de infraestrutura caso seja dado aval legislativo à medida, ainda bloqueada pela Justiça até uma definição do Congresso, em recesso até o início de março.

O problema, para muitos analistas, é que o estímulo fiscal deverá alimentar ainda a inflação no país. As prévias do índice de preços em janeiro surpreenderam. A Ecolatina, consultoria fundada pelo ex-ministro Roberto Lavagna e que faz medições independentes, apurou alta de 2,3% no mês passado. Isso pode indicar que ficou defasada a projeção anterior da maioria dos economistas, de inflação entre 15% e 18% em 2010. O índice em janeiro demonstra que a variação pode passar 20% no ano.

A consultoria Orlando Ferreres & Associados já prevê inflação de 22%. O orçamento, entretanto, mantém a estimativa oficial de 6,6%. As estatísticas do governo têm sido desacreditadas por empresas, mercado e sindicatos depois da intervenção no Indec, o IBGE argentino.

Na sexta, após 21 dias de pressão e de batalha jurídica, Redrado convocou uma entrevista e anunciou sua renúncia. O economista aproveitou para criticar o governo. " Chegamos a essa situação pelo permanente atropelo das instituições que pratica o governo. " (Daniel Rittner | Valor)

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