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01/02/2010 - 08h15

Bovespa caiu 4,65% em janeiro e dólar avançou 8,15%

SÃO PAULO - Janeiro terminou no extremo oposto da forma que começou. A confiança na retomada da economia mundial e demanda por ativos de risco foram suplantadas pelo temor de uma recessão em forma de W, aperto monetário na China, bancos mais regulados e problemas fiscais em países da Europa e no Japão. Com tal pano de fundo, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) perdeu 4,65% no mês, encerrando uma rodada de seis meses seguidos de valorização e marcando o pior mês desde outubro de 2008. Já o dólar teve seu melhor mês desde outubro de 2008. Com 17 altas em 20 pregões, a moeda fechou janeiro com valorização de 8,15%. Sem surpresa, o dólar foi a melhor opção de investimento do mês e a bolsa, a pior. Lembrando que, em outubro de 2008, a crise financeira ainda estava em seu ápice, a bolsa caiu 24,8% e o dólar saltou 13,4%.

Já o mercado de juros futuros parece ter ganhado direção nos dias finais de janeiro. Conforme os agentes encararam a mudança no comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) como um sinal de que a Selic deve ficar em 8,75% por mais algum tempo.

Na sexta-feira, os agentes esboçaram reação, vendendo dólares e comprando ações na Bovespa. Mas tudo voltou ao " normal " no decorrer do dia, embora os Estados Unidos tenham confirmado forte crescimento de 5,7% no quarto trimestre de 2009.

Acompanhando a instabilidade externa, o Ibovespa terminou a jornada com baixa de 0,28%, aos 65.401 pontos. O giro financeiro somou R$ 6,27 bilhões. Na semana, a queda foi de 1,24%. O analista da SLW Corretora, Pedro Galdi, avalia que fevereiro deve começar volátil. " Temos mais empresas locais mostrando resultado, o que pode movimentar alguns papéis, mas o cenário lá fora vai continuar mandando " , resumiu o especialista.

Ele comentou que outro ponto a ser observado é o comportamento do investidor externo. Em cinco pregões, os saques já ultrapassam os R$ 2,52 bilhões.

O diretor de renda variável da FinaBank Corretora, Edson Marcellino, não descarta novos períodos de realização. " Para retomar mesmo a trajetória de alta, só depois de março " , avalia o especialista. Marcellino comentou que a perspectiva começa a mudar em março, pois os investidores já terão em mãos alguns números de 2010 e também será possível fazer um melhor prognóstico do ritmo de crescimento externo. Espera-se, também, que, até lá, as dúvidas envolvendo o ritmo de crescimento da China estejam respondidas.

Em Wall Street, o Dow Jones fechou com variação negativa de 0,52%. O S & P 500 recuou 0,98% e o Nasdaq declinou 1,45%. Com isso, o primeiro mês de 2010 terminou com baixa de 3,5% para o Dow e quedas de 3,7% e 5,4% para o S & P e para a bolsa eletrônica.

Da bolsa para o câmbio, o dólar comercial subiu pelo nono dia seguido ante o real para fechar negociado a R$ 1,885 na venda, valorização de 0,96% sobre o fechamento de quinta-feira. Na semana, o ganho somou 3,86%.

Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o dólar subiu 0,61%, para R$ 1,8773. O volume foi de apenas US$ 10,75 milhões, um quarto do registrado no pregão anterior. Já os negócios no interbancário subiram de US$ 2,4 bilhões para US$ 3,6 bilhões no período, reflexo da formação da Ptax (média das cotações ponderada pelo volume) que liquida os contratos futuros de fevereiro.

" Tivemos mais um dia de aversão a risco, com o dólar subindo em relação a outras moedas " , observou o economista da Geral Asset Management, Denílson Alencastro.

Segundo ele, as incertezas que permeiam a maior regulação do sistema financeiro americano ainda pesam no mercado e, mesmo com a melhora da economia americana, o investidor segue menos disposto a correr riscos.

Em dia de agenda vazia, os contratos de juros futuros registraram queda. O único destaque do dia foi o Índice de Confiança da Indústria (ICI), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), registrou o 12º aumento seguido, ao atingir 113,6 pontos em janeiro, depois dos 113,4 pontos apurados em dezembro de 2009, na série com ajuste sazonal.

A surpresa do levantamento ficou por conta do Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci), que ficou estável de dezembro de 2009 para janeiro deste ano, após oito meses de contínua elevação.

" O Nuci de janeiro foi uma surpresa, principalmente depois do último Relatório de Inflação, em que o Banco Central (BC) indicou um tom de preocupação com a recuperação rápida do nível do Nuci. A partir de então, o dado ganhou muita importância. O Nuci de dezembro foi muito forte e o de janeiro foi uma boa notícia para os juros " , afirmou o analista econômico da Mercatto Investimentos, Gabriel Goulart.

No último Relatório de Inflação, o BC ressaltou que, em um exercício que considerava a manutenção da expansão trimestral de 1,8 ponto percentual registrada no Nuci em novembro, o indicador atingiria 86,5% em maio de 2010, patamar apenas 0,2 ponto inferior ao recorde, de junho de 2008, da série iniciada em abril de 1995.

" Nesse cenário, a condução da política monetária deverá passar a considerar não apenas as perspectivas de retomada efetiva dos investimentos na capacidade produtiva da indústria e os prazos de maturação destes aportes, quanto os efeitos defasados dos estímulos de política econômica adotados no período recente " , ressaltou a instituição, na época.

Ao fim da jornada na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido do dia, apontava baixa de 0,01 ponto, a 10,31%. O vencimento para o início de 2012 recuava 0,04 ponto, a 11,69%, enquanto janeiro de 2013 cedia 0,06 ponto, a 12,25%.

Entre os vencimentos curtos, julho de 2010, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre, diminuía 0,01 ponto, a 9,10%, enquanto o DI de abril recuava 0,008 ponto, a 8,67%, e março, exceção do dia, subia 0,01 ponto, a 8,64%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 819.785 contratos, equivalentes a R$ 73,988 bilhões (US$ 39,864 bilhões). O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 336.545 contratos, equivalentes a R$ 30,748 bilhões (US$ 16,567 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor)

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