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01/02/2010 - 18h58

Bovespa sobe forte com ajuda da Vale e destaque para Cosan e BB

SÃO PAULO - Depois de marcar o pior mês desde outubro de 2008, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) começa fevereiro com forte valorização. O Ibovespa ganhou 1,79% hoje, para fechar aos 66.571 pontos. Foi a segunda maior alta do ano, perdendo apenas para o ganho de 2,12% registrado no primeiro pregão de 2010. O giro financeiro ficou em R$ 5,69 bilhões.

Segundo o diretor-gestor da Codepe Corretora, Fernando Aguiar, a história quase sempre se repete em janeiro, principalmente no final do mês, com algum fator de estresse no mercado local ou internacional.

"Na dúvida, o investidor tira o pé (do acelerador). Ainda mais que as dúvidas eram grandes, principalmente com relação à China e à regulação dos bancos nos EUA", disse.

Agora, pondera o gestor, o foco muda um pouco, e os fundamentos internos, que continuam positivos, parecem que voltam a preponderar.

Voltando o foco para a movimentação externa, Aguiar acredita que o governo poderia rever a questão do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) que incide sobre as operações em bolsa, ainda mais depois da disparada de 8,15% registrada pelo dólar e da saída de mais de R$ 2 bilhões em investimento externo da Bovespa em janeiro.

"Está na hora de deixar o mercado se ajustar. Já há espaço para diminuir ou até mesmo eliminar a alíquota", disse o especialista, lembrando que o governo deve agir preventivamente e não reagir aos problemas depois que eles já estão instalados.

Uma série de notícias corporativas ajudou a movimentar o pregão. A sucroalcooleira Cosan assinou um memorando de entendimento com a Shell para unir os negócios de etanol e distribuição de combustíveis. O valor estimado da operação é de US$ 12 bilhões. Os investidores aplaudiram o negócio e o papel ON da companhia saltou 10,70%, para fechar a R$ 23,58. Vale lembra que em janeiro o ativo tinha caído 16,80%, uma das maiores quedas do Ibovespa.

Entre os bancos, os papéis do Banco do Brasil chamaram a atenção ao marcar alta de 6,76%, para R$ 30,00. A instituição anunciou um impacto positivo de R$ 1,6 bilhão no balanço de 2009, reflexo da atualização dos cálculos dos pagamentos do fundo de pensão dos funcionários do banco (Previ).

As ações PNA da Braskem terminaram com alta de 0,45%, a R$ 13,32. A petroquímica comunicou a compra da americana Sunoco Chemicals, com capacidade anual de 950 mil toneladas de polipropileno, por US$ 350 milhões. Tal operação é vista como um passo importante no processo de internacionalização da companhia.

O papel ON da OGX Petróleo avançou 2,97%, a R$ 17,30, com o terceiro maior volume do dia. A companhia encerrou a campanha de perfuração no poço 1-OGX-4-RJS e estima um volume total de óleo recuperável entre 100 milhões e 200 milhões de barris. Também foi anunciada nova descoberta no poço OGX-5. Em relatório a Itaú Corretora reiterou a recomendação "outperform" para o papel e elevou o preço alvo de R$ 22,50 para R$ 22,90.

Entre os carros-chefe, Vale PNA passou por forte recuperação, avançando 3,46%, a R$ 43,60. Também com alta, mas menos acentuada, Petrobras PN se valorizou 0,38%, a R$ 34,30.
Depois de cair 17,5% em janeiro, LLX Logística voltou a atrair compradores, avançando 5,15%, a R$ 8,77. Cyrela ON e ALL unit ganharam mais de 4% cada, para R$ 22,70 e R$ 15,75, respectivamente.

Fora da retomada, Eletrobrás PNB caiu 3,07%, a R$ 33,45. Os papéis da estatal passaram a ser negociados sem direito ao recebimento da reserva especial de dividendos, que soma mais de R$ 10 bilhões. Queda acentuada também para Embraer ON, que perdeu 3%, a R$ 9,69. TAM PN devolveu 1,94%, para R$ 33,80.

Fora do índice, Brasil Ecodiesel ON teve valorização de 3,73%, a R$ 1,39, com mais de R$ 83 milhões em volume. Kepler Weber ON girou mais de R$ 52 milhões, antes de fechar com alta de 1,78%, a R$ 0,57. Destaque de alta para Pet. Manguinhos ON, que saltou 37,03%, a R$ 1,11%, com R$ 45 milhões negociados.

(Eduardo Campos | Valor)

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