UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

01/02/2010 - 16h27

Mercado reduz prêmio de risco na parte longa da curva de juros

SÃO PAULO - Em meio à expectativa de elevação da taxa básica de juros nos próximos meses, em um ciclo de aperto monetário que deverá ter menor extensão que os anteriores, o mercado de juros futuros registrou um leve aumento nos prêmios de curto prazo, enquanto a ponta mais longa da curva apresentou fechamento.

Entre os indicadores divulgados nesta manhã, o Boletim Focus do Banco Central revelou um novo aumento, por parte dos agentes financeiros, da projeção para a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2010, desta vez de 4,60% para 4,62%. Para 2011, a expectativa de alta para o IPCA foi mantida em 4,50%.

O mercado também reafirmou, pela segunda semana consecutiva, as projeções para a taxa Selic no fim deste ano e do próximo, em 11,25% e em 11%, nesta ordem. Os agentes ainda aumentaram ligeiramente a previsão para o crescimento da economia brasileira em 2010, de 5,30% para 5,35%. Para 2011, a projeção para o avanço do Produto Interno Bruto (PIB) do país permaneceu em 4,50%.

Já a Fundação Getúlio Vargas (FGV) informou que a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) atingiu 1,29% no fim de janeiro, ou 0,19 ponto percentual acima da taxa da terceira medição do período (1,10%). Este foi o maior resultado desde a terceira semana de fevereiro de 2003, quando o índice havia subido 1,55%.

Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), ao final da jornada, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido do dia, recuava 0,03 ponto, a 10,31%. O DI para o primeiro mês de 2012 perdia 0,09 ponto, a 11,64%, enquanto o de janeiro de 2013 caía 0,12 ponto, a 12,17%.

Entre os vencimentos curtos, julho de 2010, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre, estava estável, a 9,12%, enquanto o DI de abril avançava 0,01 ponto, a 8,69%, e março subia 0,024 ponto, a 8,645%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 490.720 contratos, equivalentes a R$ 42,41 bilhões (US$ 22,62 bilhões), bem abaixo do volume da sexta-feira (R$ 73,988 bilhões). O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 230.940 contratos, equivalentes a R$ 21,10 bilhões (US$ 11,25 bilhões).

O economista-sênior do BES Investimentos, Flávio Serrano, assinala que o IPCA de janeiro, um dos destaques da semana, deve se acelerar de 0,37%, em dezembro, para 0,71%, em janeiro.

"A inflação deve aumentar influenciada por transporte público e pela pressão dos alimentos", apontou Serrano.

Embora assinale que já pode ser verificado um certo arrefecimento das pressões dos alimentos na parte do atacado, o BES Investimentos projeta inflação de 4,6% para 2010, um pouco acima da meta (4,5%).

Ainda assim, a instituição espera que o Banco Central elevará a Selic apenas na reunião de abril e que o aperto monetário terá extensão de 175 pontos, para 10,50% ao ano.

Nesta terça-feira, o mercado deve estar atento à divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), relativo a janeiro. No mês anterior, o índice apresentou inflação de 0,18%.

(Beatriz Cutait | Valor)

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host