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09/02/2010 - 13h47

Construção civil permanece em alta, mostra sondagem da CNI

BRASÍLIA - A Sondagem da Construção Civil lançada hoje pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) revela que a atividade mantém em alta o aquecimento verificado nos últimos três anos e que as grandes empresas " estão mais do que satisfeitas com a margem de lucro operacional. " A pesquisa, que será divulgada mensalmente pela CNI, abrange três grandes ramos do setor que representa 18% do PIB brasileiro: obras públicas (infraestrutura, edificações e saneamento); imobiliário (obras comerciais, habitação de cunho social e para média e alta renda) e prestadores de serviço (construtoras, por exemplo).

Realizada entre os dias 4 e 22 de janeiro de 2010 com 283 empresas, sendo 143 pequenas, 105 médias e 35 grandes, o levantamento envolve quase a totalidade representativa do setor, segundo a CBIC. Ele tem o objetivo de avaliar a situação financeira, produção, investimentos, principais problemas e expectativas dos empresários para o semestre seguinte.

O economista da CNI, Renato da Fonseca, chamou a atenção para as diversas peculiaridades do setor, que exigiram um levantamento à parte, em relação às pesquisas que a entidade já faz para a indústria de transformação como um todo. " É uma indústria em que a fábrica anda e o produto fica " , definiu o vice-presidente da CBIC, José Carlos Martins.

Os primeiros dados apontaram que os empresários da construção civil confiam no aumento de atividade. O indicador que mede esse sentimento ficou em 70,6 pontos, com destaque de confiança maior entre os grandes empresários do setor (78,8 pontos). Também apostam em novos empreendimentos e serviços (média de 70 pontos), em aumento na compra de matéria-prima (69,7 pontos) e na contratação de mais trabalhadores (66,8 pontos).

Números apurados sobre dezembro apontam que o índice de nível de atividade efetivo em relação ao usual foi de 53,2 pontos, enquanto o indicador referente à evolução no universo de empregados ficou em 53,6 pontos. A situação financeira foi satisfatória, com marca de 56,9 pontos.

Os problemas enfrentados pelo setor foram apontados de forma espontânea, sem lista prévia, de forma que a carga tributária vem em primeiro lugar, com 60,7% das empresas apontando esse fator. Mas, segundo a CBIC, cerca de 30% do custo final da obra imobiliária são impostos.

O segundo destaque foi a falta de mão de obra qualificada, assinalado por 53% das empresas consultadas, seguida pelas dificuldades criadas por condições climáticas, como as chuvas ininterruptas em São Paulo, por exemplo. Ao contrário de boa parte dos setores da economia brasileira, para a construção civil o crédito deixou de estar entre as preocupações de destaque. O indicador relativo ao acesso ao crédito no quatro trimestre de 2009, por exemplo, ficou com 54,6 pontos na média geral.

Martins chegou a dizer que marcos regulatórios recentes, que criaram garantias adicionais, tornaram o financiamento imobiliário " o melhor crédito para os bancos, mesmo sendo de longo prazo, porque fideliza o cliente " . O crescimento geral do crédito no país acelerou a oferta de crédito habitacional nos últimos anos. O executivo da CBIC destacou que, nesse setor, " o crédito sempre vem junto com a realização do investimento imobiliário. " Vale notar que os indicadores variam de zero a 100. O ponto de equilíbrio é 50. Assim sendo, a leitura acima dessa marca significa uma quadro mais favorável; abaixo, uma situação menos satisfatória.

(Azelma Rodrigues | Valor)

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