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09/02/2010 - 16h40

DIs voltam a acumular prêmio na BM & F

SÃO PAULO - Em um dia de cautela no cenário externo, com o mercado à espera de anúncios de medidas da União Europeia voltadas à redução do endividamento de países como Grécia e Espanha, os contratos de juros futuros encerraram a jornada sem grandes oscilações, mas com o movimento comprador prevalecendo sobre os negócios.

Enquanto, no Brasil, a aceleração dos indicadores de inflação - e das expectativas - se mantêm no foco da preocupação dos agentes, uma recuperação mais lenta das economias desenvolvidas coloca em cheque a extensão e o início do aperto monetário.

Ao fim das operações desta terça-feira na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido do dia, avançava 0,03 ponto percentual, a 10,25%, enquanto o vencimento para janeiro de 2012 subia 0,02 ponto, a 11,42%, e o DI para o mesmo mês de 2013 aumentava 0,02 ponto, a 11,90%.

Entre os vencimentos curtos, foi verificada pouca oscilação. O DI de julho de 2010, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre, teve alta de 0,02 ponto, a 9,15%, o de abril ficou estável, em 8,695%, e o de março subiu 0,01 ponto, a 8,63%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 613.650 contratos, equivalentes a R$ 54,523 bilhões (US$ 29,11 bilhões), praticamente o mesmo volume de ontem (R$ 54,24 bilhões). O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 357.835 contratos, equivalentes a R$ 32,799 bilhões (US$ 17,511 bilhões).

Nesta manhã, enquanto o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que o emprego industrial encolheu 0,6% de novembro para dezembro de 2009 e 2,7% sobre o último mês de 2008, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) mostrou que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) na cidade de São Paulo seguiu elevado na primeira prévia do mês, com inflação de 1,28%, ante a alta de 1,34% no fim de janeiro.
Na avaliação do gestor de fundos de investimentos da Gradual, Renato Pascon, os prêmios de risco seguem muito elevados no mercado de juros. A instituição espera que o ciclo de aperto já comece na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).

"Os dados de inflação estão se mostrando mais fortes. Nossa visão é de que a ata do Copom foi um aviso ao mercado de que o ciclo de alta vai começar e já imaginamos que isso ocorra em março", comentou.
Para a Gradual, o ciclo de elevação da Selic deverá durar de quatro a cinco encontros do Copom, e terminará ainda em 2010. "O horizonte é mais otimista", pontuou.

Em relatório divulgado hoje, a equipe de análise do Credit Suisse afirmou que mantém a expectativa de início do aperto monetário em abril, após a ata referente à ultima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

"Julgamos que a ata sugere que haverá aumento de juros neste ano, mas que a opção do Copom é não iniciar o ciclo de aperto em março, assumindo que se confirmem suas projeções para os indicadores econômicos. Julgamos que o comunicado divulgado após a reunião e o teor da ata sinalizam uma dinâmica de aperto monetário similar à de 2008, quando o aumento dos juros só ocorreu em abril. Entendemos que, caso tivesse interesse em sancionar a probabilidade de alta na Selic em março apreçada na curva de juros, o Copom teria reportado uma eventual discussão sobre aumento de juros já na reunião de janeiro. A relativa estabilidade das projeções de inflação para 2010 e 2011 também não sugere uma decisão do Copom de elevar os juros ainda no primeiro trimestre", ressaltou a instituição.

O banco projeta um aumento de 1,5 ponto percentual da taxa Selic, com uma elevação de 0,25 ponto na reunião de abril, seguida de duas altas de 0,50 ponto em junho e julho e uma última elevação, de 0,25 ponto, em setembro.

Na gestão da dívida pública, o Tesouro vendeu 3,81 milhões dos 4 milhões de títulos ofertados em leilão de Notas do Tesouro Nacional - Série B (NTN-B), com giro de R$ 7,10 bilhões. A instituição ainda tentou realizar o resgate antecipado do mesmo tipo de título, porém as propostas não foram aceitas. Amanhã, o Tesouro realiza a segunda etapa do leilão de NTN-B, que ocorre via troca de títulos.

Ainda nesta quarta-feira, além de a Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgar a primeira prévia de fevereiro do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), o Banco Central publica o fluxo cambial atualizado e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulga os indicadores industriais de dezembro.

(Beatriz Cutait | Valor)

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