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09/02/2010 - 20h39

Inadimplência do consumidor tem queda recorde em janeiro

SÃO PAULO - O indicador que mede a inadimplência do consumidor registrou declínio de 6,3% em janeiro na comparação com dezembro, o maior percentual de queda para um mês de janeiro, desde 1999, ano do início da série histórica, na comparação mensal.

Em relação a igual mês do ano passado, a retração foi ainda maior, de 8,1%, de acordo com a Serasa Experian, responsável pela pesquisa.

Os economistas da Serasa creditam o resultado às melhores condições de crédito no país, ao uso do 13º salário para pagamento de dívidas, e à maior confiança dos agentes econômicos, que contribuiu para a renegociação de dívidas.

Como o cenário econômico atual é favorável, as compras de Natal não tiveram impacto negativo no indicador de inadimplência. "Nós já tivemos anos em que a conjuntura econômica não era tão favorável como agora, de forma que as compras de fim de ano influenciavam negativamente o indicador de inadimplência. Como nós temos hoje um ambiente de crescimento muito forte, com geração de emprego e renda, o consumidor comprou no Natal e pagou em janeiro", explicou Carlos Henrique de Almeida, assessor econômico da Serasa Experian.

O recuo da inadimplência em janeiro foi resultado da queda de 16,2% na devolução de cheques sem fundos emitidos por pessoas físicas e pelo declínio de 5,1% das dívidas não honradas junto aos bancos.

As dívidas com os bancos representaram a maior parcela da inadimplência do consumidor no primeiro mês do ano, com 47,7% de representação, o que denota uma alta na comparação anual, já que, em 2009, esse percentual era de 43,6%. Apesar disso, o valor médio dessas dívidas caiu 1,5% ante janeiro de 2009. As dívidas com cartões de crédito e financeiras representaram 33,2% do indicador de inadimplência em janeiro último, contra 36,8% em igual período do ano passado. Em terceiro lugar, aparecem os cheques sem fundo, com 17% de representatividade contra 17,7%, na mesma base comparativa.

O valor das dívidas com cartões de crédito e financeiras caíram 8%, ao passo que os títulos protestados cresceram 2,2%. Já os valores dos cheques sem fundos foram destaque de alta, com expansão de 41,3%, passando de uma média de R$ 824,06 para R$ 1.164,53.

Para os economistas da instituição de pesquisa, a expectativa para os próximos meses é de continuidade da queda na inadimplência, alinhada ao crescimento da economia.

"Com a economia crescendo mais, que é o que se prevê, e o crédito ao consumidor evoluindo cerca de 20% este ano, o consumidor honrará as dívidas que assumiu e não teremos problemas com a inadimplência. É claro que nossa hipótese é de que a economia continue a crescer. Se ocorrer um soluço na economia por conta da crise global, o consumidor terá problemas para honrar dívidas", disse Almeida, que lembrou que o brasileiro já consumiu muito, por conta dos incentivos fiscais do governo.

Uma eventual alta na taxa Selic também pode ter impacto na inadimplência, uma vez que o crédito encarece. "Mas não se trata de um aumento de juros aos patamares que tivemos em um passado recente", ressaltou.

Segundo ele, os juros costumam afetar a inadimplência porque o brasileiro usa o cheque especial e o rotativo do cartão de crédito (quando ele prefere a amortização mínima, no lugar o total da fatura) para recompor seu salário. "Essa falta de educação financeira faz com que a alta na Selic sempre influencie negativamente em relação a dívidas mais altas. Cheque especial e rotativo do cartão de crédito devem ser usados em caráter emergencial, e não todo mês." (Karin Sato | Valor)

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