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09/02/2010 - 12h54

Juros futuros operam em alta em meio a incertezas no cenário externo

SÃO PAULO - Apesar de um indicador de nível de emprego mais fraco na indústria brasileira no fim de 2009, que contribui para a redução dos prêmios de risco embutidos nos contratos de juros futuros, a fragilidade do cenário externo segue pautando os negócios desta terça-feira.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o emprego industrial nacional encolheu 0,6% de novembro para dezembro de 2009. Na comparação com o último mês de 2008, foi registrada queda de 2,7%. Em 2009, o número de pessoas ocupadas na indústria recuou 5,3%, a maior baixa desde o início da série histórica, em 2002.

Ainda no front doméstico, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) na cidade de São Paulo apurou inflação de 1,28% na primeira prévia de fevereiro, depois da alta de 1,34% no fim de janeiro. De acordo com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), o grupo Transporte teve suavização no ritmo de alta, ao subir 4,49% na medição inicial de fevereiro, depois da alta de 4,58% no fechamento do mês passado. Mesmo movimento foi apresentado por Educação, cuja inflação se desacelerou de 4,42% para 3,77% no período, e Alimentação, cuja alta passou de 1,52% para 1,18%.

Os mercados acionários operavam em alta, em parte refletindo as expectativas em relação a uma possível ação da União Europeia para aliviar a crise da dívida enfrentada por vários países.

Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), também ganhava força o movimento comprador. Na parte curta da curva, o Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em julho de 2010, que divide as apostas entre alta de juros no primeiro ou segundo semestre, projetava, há pouco, taxa de 9,16%, elevação de 0,03 ponto percentual. Ainda neste ano, o contrato de março subia 0,01 ponto, para 8,63%, enquanto o de abril estava estável, a 8,681%.

Entre os vencimentos mais longos, o DI de janeiro de 2011, referência de mercado, registrava, há instantes, taxa de 10,24%, acréscimo de 0,02 ponto percentual, enquanto o contrato de janeiro de 2012 operava estável, a 11,40%, e o do primeiro mês de 2013 subia apenas 0,01 ponto, a 11,89%.

Na avaliação do estrategista-chefe para a América Latina do BNP Paribas, Alexandre Lintz, o mercado de juros está " muito sensibilizado " pelo cenário internacional, principalmente depois de o Banco Central (BC) ter citado na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) a alta dos preços de commodities como um dos riscos externos para a trajetória da inflação no Brasil.

" Não está claro se a recuperação econômica se mantém ou se o processo vai demorar mais tempo, o que leva o mercado a ponderar que os fatores internacionais seriam deflacionários " , observa Lintz.

Diferentemente da maior parte dos agentes financeiros, o BNP Paribas projeta o início do ciclo de aperto monetário apenas para o quarto trimestre do ano, tendo em vista um agravamento da crise na zona do euro ao longo deste semestre e do início do próximo.

" Há ainda alguns problemas de crédito que começam a aparecer no primeiro semestre. Os países terão que fazer propostas de ajustes fiscais bem mais pesadas e, quanto maior elas forem, menos será o crescimento econômico " , ressalta o economista. O banco espera a elevação da taxa Selic em 200 pontos ao longo de dois anos, para 10,75%, mas Lintz assinala que a contínua aceleração das expectativas inflacionárias, que já indicam alta de 4,78% para 2010 e de 4,5% para 2011, poderá levar o BC a subir os juros antes do previsto.

Na gestão de dívida pública, o Tesouro realiza a primeira etapa do leilão tradicional de Notas do Tesouro Nacional - Série B (NTN-B), que ocorre via liquidação financeira, e o resgate antecipado dos mesmos títulos.

(Beatriz Cutait | Valor)

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