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09/02/2010 - 11h39

Troca de milho por soja evita safra recorde

RIO - A corrida dos produtores rurais para o plantio da soja, em detrimento do milho, foi o principal motivo para que a estimativa de safra de grãos para este ano não apresentasse recorde de volume, apesar de a área plantada ser o recorde da série do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para este ano, o IBGE estima uma safra de 143,4 milhões de toneladas, 7,2% acima das 133,8 milhões de toneladas colhidas em 2009 e 1,9% superior ao prognóstico feito em dezembro, de 140,7 milhões de toneladas. A estimativa ainda está 1,8% abaixo do recorde de 2008, de 146 milhões de toneladas.

Em relação à área plantada, a estimativa divulgada hoje é 48,1 milhões de hectares, recorde, e 2,1% acima dos 47,2 milhões de hectares do ano passado. Para Mauro Andreazzi, gerente de agricultura do IBGE, a migração da produção de milho para soja colabora para que o recorde de produção não seja quebrado, uma vez que a produtividade da soja é de cerca de 50 sacas de 60 quilos por hectare e, na cultura de milho, essa produtividade chega a 100 sacas por hectare.

Para este ano, a colheita de soja no país deve atingir, segundo o IBGE, 66,137 milhões de toneladas, um incremento de 16% frente ao volume de 2009. Com isso, a participação da oleaginosa na produção nacional de grãos passará de 42,6% do total no ano passado para 46,1% em 2010. Andreazzi lembra que o consumo interno do produto é de cerca de 37,4 milhões de toneladas, o que significará um excedente de cerca de 29 milhões de toneladas este ano.

" A soja é a nossa vedete, que não sofreu com a crise. Os preços de outros produtos estão piores, estimulando o produtor a plantar soja " , frisou Andreazzi, lembrando que a saca do produto está sendo negociada pelo produtor a cerca de R$ 30, enquanto o milho está saindo em torno de R$ 15. Segundo ele, a produtividade da soja também aumentou este ano, passado de 2.624 quilos por hectare para 2.871 quilos por hectare entre 2009 e 2010.

Na contramão, ficaram o milho e o arroz, que, juntamente com a soja, deverão representar 90,3% do total da safra de grãos do país em 2010. A primeira safra de milho é estimada em 33,424 milhões de toneladas para este ano, uma queda de 1,3% frente às 33,8 milhões de toneladas da primeira safra de 2009. Andreazzi lembrou que a demanda por suínos e aves no país caiu no ano passado, desestimulando os produtores a plantar milho, o principal insumo da ração dada a esses animais. Apesar do recuo, a projeção de 17,996 milhões de toneladas para a segunda safra garante o abastecimento do mercado interno, cuja demanda gira em torno de 46,5 milhões de toneladas anuais.

O arroz em casca tem safra estimada de 11,954 milhões de toneladas para 2010, uma queda de 5,2% em relação ao ano passado. Apesar das fortes chuvas do início do ano, o gerente substituto da LSPA, Paulo Monassa, afirmou que as áreas de cultivo mais importantes do Rio Grande do Sul - principal produtor do país, com 60,8% do total - não foram tão afetadas.

" As informações são de que o El Niño, que causou as chuvas desse início de ano, está enfraquecendo. E como as barragens estão cheias, se o tempo firmar pode ajudar a produção, já que se diz que o ideal para o arroz é ? ter água no pé e sol na cabeça ? " , explicou Monassa.

Andreazzi alertou para a quebra da safra tailandesa de arroz, a mais importante do mundo, por conta de uma praga de gafanhotos. Segundo ele, os preços do produto no país podem ser influenciados pela demanda mundial, uma vez que o consumo interno, de 12,7 milhões de toneladas, é inferior à safra prevista.

" É possível que parte desse arroz nem fique aqui no país " , estimou Andreazzi.

Já a produção de feijão deve ser suficiente para abastecer o mercado interno. A primeira safra do produto é estimada em 2,023 milhões de toneladas, 23,1% acima do ano passado. Com as projeções de 1,408 milhão de toneladas para a segunda safra e de 348 mil toneladas para a terceira, a safra total pode atingir 3,780 milhões de toneladas, 8,7% acima da de 2009 e suficiente para cobrir o consumo interno, de 3,5 milhões de toneladas.

(Rafael Rosas | Valor)

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