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10/02/2010 - 12h40

DIs têm comportamento errático na BM&F; mercado analisa dados do BC

SÃO PAULO - O mercado de juros futuros apresenta um comportamento errático na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) nesta quinta-feira. Depois de iniciarem os negócios mostrando perda dos prêmios de risco, os contratos de Depósitos Interfinanceiros (DIs) corrigiram o movimento e começaram a apontar para cima, mas com variações pouco representativas.
Além de uma correção técnica do mercado diante da baixa vista ao longo de toda semana, os agentes ainda analisam o impacto do ajuste fiscal de R$ 50 bilhões a ser feito pelo governo e estão atentos a novos dados do Banco Central (BC).

A instituição está apresentando seu Boletim Regional em Salvador, mas o que desperta a atenção do mercado são os comentários do diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton Araújo, sobre as operações de crédito em nível nacional e sobre os efeitos já provocados pelas medidas macroprudenciais adotadas no fim do ano passado.

O BC disse que as medidas para abrandar o crédito ao consumidor são "efetivas" e podem ajudar a intensificar o impacto da taxa de juro mais alta na demanda doméstica.

A autoridade monetária mostrou que o volume de novos empréstimos ao consumidor e o financiamento para a compra de veículos caíram em janeiro, enquanto a taxa de juro para crédito pessoal subiu no mês até 25 de janeiro.

Felipe França, economista do Banco ABC Brasil, avalia que ainda é cedo para o mercado concluir algo sobre os dados divulgados, mas já adianta que, num primeiro olhar, o impacto sobre o crédito não parece tão representativo como o previsto.

"De fato, os juros subiram e as concessões caíram desde a implementação das medidas macroprudenciais, mas o impacto disso no crédito ainda não parece tão expressivo como se esperava", pontua.

O gestor da Oren Investimentos Adriano Fontes ainda ressalta que o mercado já se antecipou ao corte orçamentário do governo antes do anúncio oficial, o que resultou em queda dos DIs. De toda forma, ele avalia que os agentes seguem atentos ao detalhamento do ajuste.

"O mercado não comemorou o número, porque já tinha se adiantado e feito um movimento de correção muito forte. Ainda não houve nenhum detalhamento do ajuste, então não há nada para ser comemorado, mas nada decepcionante também. O mercado ainda está nervoso", assinala.

Há pouco, o DI com vencimento em abril de 2011 avançava 0,01 ponto percentual, a 11,43%, e o de julho tinha queda de 0,01 ponto, para 11,88%.
Entre os DIs de prazos mais dilatados, o do início de 2012 registrava decréscimo de 0,01 ponto, a 12,32%, o contrato de abertura de 2013 mantinha o patamar de 12,74%, o de janeiro de 2014 subia 0,01 ponto, a 12,75%, e o do início de 2015 também avançava 0,01 ponto, a 12,75 %.

Além disso, os contratos de abertura de 2016 e 2017 aumentavam 0,03 ponto e 0,01 ponto, respectivamente a 12,68% e 12,64%.

Ainda na agenda do dia, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) apontou que a inflação medida pelo Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) se acelerou para 0,66% na primeira prévia de fevereiro, ante alta de 0,42% em mesmo intervalo do mês passado. Apesar do avanço, o resultado foi mais fraco que o esperado por analistas.

Na gestão da dívida pública, o Tesouro realiza leilão tradicional de venda de Letras do Tesouro Nacional (LTN) e Notas do Tesouro Nacional - série F (NTN-F).

(Beatriz Cutait | Valor)
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