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10/02/2010 - 08h22

Bovespa teve melhor pregão do ano e dólar caiu mais de 1,4%

SÃO PAULO - A quarta-feira foi um dia de forte recuperação para os mercados brasileiros e internacionais conforme cresceu a expectativa de que a Grécia receberá ajuda de seus pares europeus. Acreditando nesta possibilidade, os agentes foram às compras na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que registrou a maior valorização do ano, e voltaram a vender dólares de forma acentuada. No mercado de juros futuros, os contratos conservaram leve viés de alta. O dia já começou com tom mais positivo em função das expectativas envolvendo um eventual apoio à Grécia e outros países da região que enfrentam problemas fiscais. O humor melhorou no decorrer da tarde conforme começaram a sair notícias sobre um possível plano de ajuda aos países europeus em dificuldade.

Para o gestor da Meta Asset Management, Francisco Dantas, apesar de não haver nada muito concreto, é difícil acreditar que a União Europeia não vá tomar nenhuma medida para evitar um problema fiscal ainda maior com a Grécia e Espanha, por exemplo.

A grande questão agora, segundo o especialista, é saber qual será o mecanismo utilizado para ajudar esses países. Dantas lembra que, no caso dos bancos americanos, um consenso sobre ajuda foi mais fácil de ser alcançado justamente pelo fato de todos os envolvidos serem americanos. No caso da zona do euro, a questão se complica um pouco, pois alemães e franceses precisam ser convencidos de ajudar gregos e espanhóis.

Na Bovespa, as ordens de compra preponderaram ao longo de todo o pregão e o Ibovespa terminou com elevação de 2,48%, apontando 64.718 pontos. O giro financeiro foi elevado, de R$ 7,61 bilhões, mostrando consistência nas compras. O índice não subia tanto desde 9 de novembro, quando ganhou 2,71%. Na máxima, o índice bateu nos 65.525 pontos, avanço de 3,75%.

Ganhos também em Wall Street, onde o Dow Jones retomou a linha dos 10 mil pontos perdida na segunda-feira, ao fechar com alta de 1,52%, aos 10.058 pontos. S & P 500 e Nasdaq subiram 1,30% e 1,17%, respectivamente. A possibilidade de ajuda à Grécia também teve reflexo no mercado de câmbio, pois levou ao fortalecimento da moeda comum europeia, o que refletiu no cenário doméstico.

Ao final da jornada, o dólar comercial marcava baixa de 1,44%, a R$ 1,845 na compra e a R$ 1,847 na venda. Já na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o dólar recuou 1,16%, para R$ 1,8519. O volume cedeu de US$ 83,5 milhões para US$ 44,5 milhões. No interbancário, o giro passou de US$ 3 bilhões para US$ 2,2 bilhões.

O diretor-executivo da NGO Corretora, Sidnei Moura Nehme, assinalou que o recuo do dólar no Brasil foi, de fato, uma extensão do movimento do euro. " O quadro de preocupação em torno dos países europeus está melhor acomodado. Além disso, diminuiu a especulação no exterior com relação aos swaps de crédito e as commodities também melhoraram um pouco de preço " , assinalou Nehme.

Embora mantenha a previsão para a cotação do dólar em torno de R$ 1,95 ao fim de 2010, o diretor comentou que, ao longo do primeiro semestre, a moeda americana deve se manter na faixa de R$ 1,80 a R$ 1,85.

No mercado de juros futuros, a aceleração dos indicadores de inflação e das expectativas se mantêm no foco da preocupação dos agentes, que também ponderam que uma recuperação mais lenta das economias desenvolvidas coloca em xeque a extensão e o início de um aperto monetário no mercado local.

Ao fim das operações na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido do dia, avançava 0,03 ponto percentual, a 10,25%, enquanto o vencimento para janeiro de 2012 subia 0,02 ponto, a 11,42%. O DI para o mesmo mês de 2013 aumentava 0,02 ponto, a 11,90%.

Entre os vencimentos curtos, foi verificada pouca oscilação. O DI de julho de 2010, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre, teve acréscimo de 0,02 ponto, a 9,15%, o de abril ficou estável, em 8,695%, e o de março registrou elevação de 0,01 ponto, a 8,63%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 613.650 contratos, equivalentes a R$ 54,523 bilhões (US$ 29,11 bilhões), praticamente o mesmo volume do pregão anterior. O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 357.835 contratos, equivalentes a R$ 32,799 bilhões (US$ 17,511 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor)

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