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11/02/2010 - 07h59

Bovespa garantiu terceiro dia de alta, mas dólar teve valorização

SÃO PAULO - Depois de dois dias de viés otimista, os mercados brasileiros tiveram um pregão indefinido na quarta-feira. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) voltou a subir, garantindo os 65 mil pontos e o dólar fechou com leve alta. No mercado de juros futuros, os agentes voltaram a pedir mais prêmio de risco.

O tema Grécia continuou em pauta, mas nenhuma definição ainda foi tomada. O ponto é que os agentes já dão como certo que a União Europeia deve anunciar alguma medida para ajudar o país. Uma definição pode sair da reunião dos líderes do bloco econômico nesta quinta-feira.

Atendendo às expectativas, o presidente do Federal Reserve (Fed), banco central americano, Ben Bernanke, falou sobre as estratégias de retirada dos estímulos sem precedentes adotados para conter a crise.
Bernanke confirmou o encerramento das últimas linhas especiais de liquidez em função da melhora do sistema financeiro, mas ponderou que a taxa básica de juros deve seguir baixa por um longo período de tempo.

O presidente do Fed também listou as ferramentas que poderá utilizar para tirar liquidez do mercado, como acordos reversos de compra de títulos, depósitos a prazo para instituições financeiras e compra/venda de ativos.

" No entanto, a sequência dos passos, assim como a combinação de ferramentas utilizadas para sair da atual conjuntura de política monetária muito acomodativa dependerão do desenvolvimento da economia e do sistema financeiro " , disse o presidente do Fed.

Para o economista da Um Investimentos, Hersz Ferman, o ponto principal do discurso é que Bernanke já começou a sinalizar que vai subir os juros e que a maneira de iniciar esse ajuste de política monetária é a janela de redesconto, pela qual a autoridade regula a quantidade de dinheiro dentro dos bancos.

De acordo com Ferman, a ideia é de que a economia está se recuperando, mas ainda se encontra em um estágio relativamente fraco. Ainda assim, a situação é tal que permite o retorno da política monetária para uma instância mais neutra.

Com a divulgação do discurso, as bolsas registraram as mínimas do dia, mas, no decorrer da jornada, as ordens de compras voltaram a aparecer na Bovespa, que acabou marcando o terceiro dia de alta.
Ao fim da jornada, o Ibovespa marcava acréscimo de 0,51%, aos 65.051 pontos. O giro ficou em R$ 5,88 bilhões, o menor em uma semana.
Em Wall Street, as vendas acabaram prevalecendo na última hora do pregão. O Dow Jones perdeu 0,20%, enquanto o S & P 500 e o Nasdaq recuaram 0,22% e 0,14%, respectivamente.

Passando para o câmbio, a falta de direção foi grande e o dólar terminou o dia com leve alta de 0,10%, valendo R$ 1,849 na venda.
Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o dólar teve queda de 0,16%, para R$ 1,849. O volume permaneceu em US$ 44,5 milhões. Já os negócios no interbancário caíram de US$ 2,2 bilhões para US$ 1,3 bilhão.

O gerente de tesouraria do Banco Prosper, Jorge Knauer, assinalou que a moeda americana teve sua trajetória norteada pelas divisas estrangeiras. " Dificilmente temos no Brasil, fazendo uma análise fundamentalista do mercado de câmbio, algo que justifique esse tipo de volatilidade. O dólar está sendo influenciado pelo cenário externo, que também está bem volátil em termos de preços de commodities e bolsas, principalmente, dos Estados Unidos " , afirmou.
No mercado de juros futuros novos indicadores de inflação e atividade pautaram os negócios. Para o sócio da Platina Investimentos, Marco Franklin, esses dados, de maneira geral, apontam que provavelmente o Banco Central vai ter de começar a mexer na taxa de juros o mais breve possível.
" A inflação em 12 meses está numa tendência crescente, as expectativas de inflação estão bem acima do centro da meta e os números de atividade também estão fortes. Desta forma, a subida de juros é iminente e já deve acontecer em março " , afirmou o especialista.
Na avaliação do sócio da Platina, o BC brasileiro deve seguir empenhado em iniciar o aperto monetário, independentemente das incertezas presentes no front internacional.

" O mercado está com a leitura de que, se a situação na Europa se agravar, a economia poderá ter uma trajetória em ? W ? e o Banco Central não precisará subir juros, mas eu não concordo. Se ocorrer, de fato, uma crise mais forte na Grécia, o que não acreditamos que acontecerá, e isto realmente trouxer o crescimento europeu para baixo, o BC pode interromper a alta de juros no Brasil. Quanto mais preventivo ele for, menos precisará fazer " , assinalou Franklin.

Na agenda, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) informou que o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) avançou 0,98% na primeira leitura de fevereiro, ante alta de 0,27% apurada em igual período de janeiro.
Já a Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelou que o nível de utilização da capacidade instalada (Nuci) da indústria brasileira subiu para 81,7% em dezembro de 2009, em termos dessazonalizados, ante os 81,3% registrados em novembro. Em dezembro de 2008, o percentual também era menor, de 79,4%.

Ao final da jornada, na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido do dia, subia 0,01 ponto, a 10,27%. O vencimento para janeiro de 2012 ganhava 0,04 ponto, a 11,43%, assim como o do primeiro mês de 2013, que avançava 0,04 ponto, a 12,92%.

Entre os vencimentos curtos, julho de 2010, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre, subia 0,03 ponto, a 9,18%, enquanto o DI de abril mantinha taxa de 8,695%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 590.365 contratos, equivalentes a R$ 52,039 bilhões (US$ 28,053 bilhões), pouco abaixo do volume de terça-feira. O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 291.580 contratos, equivalentes a R$ 26,730 bilhões (US$ 14,409 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor)

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