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11/02/2010 - 18h50

Bovespa retoma os 66 mil pontos e já sobe 5,36% na semana

SÃO PAULO - O pregão na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) começou marcado pela instabilidade, mas as ordens de compra cresceram no decorrer da tarde e impulsionaram o índice de volta para cima dos 66 mil pontos.
O Ibovespa fechou a quinta-feira com valorização de 1,66%, aos 66.128 pontos, e giro de R$ 6,97 bilhões. Com quatro dias seguidos de alta, o índice já acumula ganho de 5,36% na semana e passa a registrar alta de 1,11% no mês.

Segundo o gestor da Vetorial Asset, Sérgio Machado, o mercado já transcendeu a volatilidade, e está errático, pois cai sem grandes motivos e retoma alta também sem novas notícias.
"Fora isso, as explicações que surgem são ex post", diz Machado, apontando que a ajuda à Grécia ou a queda do seguro-desemprego nos EUA vieram a público antes da puxada do período da tarde.

O que se pode dizer, segundo Machado, é que os investidores estão mais bem humorados com o Brasil. Uma indicação disso é que as posições compradas de investidores estrangeiros no mercado futuro voltaram subir depois de marcar apenas 3 mil contratos no começo da semana. Segundo Machado há muito tempo não era observada uma posição tão reduzida em Ibovespa futuro.

A percepção do especialista também é captada pelos dados sobre a negociação direta na Bovespa. Na terça-feira, dia 9, o estrangeiro fez compras líquidas de R$ 176 milhões, reduzindo o volume de saída no acumulado do mês de R$ 562 milhões para R$ 385 milhões.
Olhando o noticiário externo, Machado faz uma comparação com o final de 2008, quando o mercado se animava conforme saíam notícias sobre ajuda aos bancos. Mas a questão é que se os bancos naquela época e a Grécia, hoje, precisam de ajuda é porque algum problema tem.

Para a sexta-feira, a pergunta que fica é: quem vai ficar comprado durante o feriado de Carnaval? Segundo Machado, com um mercado que apresenta tal amplitude de variação, carregar posição é complicado.

Dentro do Ibovespa, o papel PNA da Vale liderou o volume, girando R$ 1,18 bilhão, e subiu 1,89%, para R$ 43,00, depois de cair mais de 3% no começo dos negócios. O papel ON ganhou 2,34%, para R$ 49,69. A retomada das compras aconteceu mesmo com os analistas julgando os resultados trimestrais da mineradora como negativos.

Na noite da quarta-feira, a Vale reportou lucro líquido de R$ 2,629 bilhões para o quarto trimestre de 2009, uma queda de 12,54% sobre o terceiro trimestre, mas um crescimento de 7,7% sobre igual período de 2008. Já em todo o ano de 2009, a Vale embolsou R$ 10,249 bilhões, menos da metade do resultado de 2008, que fora de R$ 21,279 bilhões.

Segundo a Brascan Corretora, o resultado ficou abaixo do esperado devido a uma piora muito mais significativa do que a projetada para a geração de caixa medida pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), que caiu 43,5% no comparativo anual, para R$ 3,7 bilhões no trimestre.
Para a corretora, o fraco resultado foi influenciado por menores volumes de venda tanto em ferrosos como em não-ferrosos, pela apreciação cambial e por uma elevação dos custos e das despesas operacionais da companhia. A recomendação é " marketperform " , ou média do mercado.

O Merrill Lynch também avaliou o resultado como fraco, mas mantém a recomendação de "compra" para a companhia, dada à expectativa de redução de custos e maiores preços ao longo do ano.
Bom desempenho para Petrobras PN, que avançou 2,20%, a R$ 33,36. A estatal anunciou nova descoberta da Bacia de Campos e estima volume de óleo recuperável de 25 milhões de barris. Segundo a companhia, como no local já existe infraestrutura de produção, o poço irá iniciar a produção ainda este ano.

No setor siderúrgico, destaque para Gerdau PN, que fechou com alta de 4,80%, a R$ 26,20. Já o ativo PN da Metalúrgica Gerdau, saltou 5,50%, para fechar a R$ 32,02. Ainda no setor, CSN ON ganhou 2,83%, a R$ 58,00, mas Usiminas PNA perdeu 0,10%, a R$ 46,95.

Ainda na ponta de compra, TIM PN teve acréscimo de 4,83%, a R$ 5,20, Fibria ON também subiu mais de 4%, para R$ 36,65. MRV ON, PDG Realty ON e B2W Varejo ON ganharam mais de 3% cada.

O papel ON da Natura ganhou 2,16%, a R$ 33,90. A Link Investimentos reiniciou a cobertura do papel com uma recomendação "underperform", ou abaixo da média, e preço alvo de R$ 38,00.

Fora da festa, Net PN perdeu 2,34%, para R$ 21,62, Cosan ON cedeu 2,29%, a R$ 24,23, e Vivo PN teve queda de 1,35%, a R$ 52,42.
Fora do índice, São Martinho ON subiu 2,04%, a R$ 17,50. A Itaú Corretora elevou a recomendação do papel para "outperform", ou acima da média do mercado, e deu preço justo de R$ 22,1, depois dos bons resultados divulgados pela companhia.
Fora isso, o JP Morgan reiterou a ação como seu "top pick" no setor de açúcar e álcool. Já o Morgan Stanley reconheceu os bons resultados, mas manteve a recomendação "underweight", ou abaixo da média, pois acredita que o preço do álcool já atingiu suas máximas.

Na chamada quinta linha, Telebrás ON girou R$ 99 milhões, e caiu 9,80%, a R$ 2,30. Já Petróleo Manguinhos ON saltou 33,33%, a R$ 1,28.

Os recibos de ações da Agrenco estão fora do jogo. A trading agrícola teve seu registro de companhia estrangeira suspenso pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por não entregar informações.

(Eduardo Campos | Valor)

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