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11/02/2010 - 20h31

Fitch rebaixa ratings da Camargo Corrêa após compra de fatia da Cimpor

RIO - A Fitch Ratings rebaixou hoje os ratings da Camargo Corrêa em função do anúncio, feito ontem, da compra de 22,17% do capital da Cimpor, por 968,3 milhões de euros.

A agência reduziu a nota de probabilidade de inadimplência do emissor em moeda estrangeira de "BB" para "BB-", o rating em moeda local de "BB" para "BB-", e o rating nacional de longo prazo de "AA-(bra)" para "A+(bra)". A perspectiva dos ratings também foi revisada, passando de negativa para estável.

A Fitch também rebaixou as notas das debêntures da primeira série da segunda emissão, no montante de R$ 400 milhões, com vencimento em 2012, de "AA-" para "A+", enquanto as debêntures da segunda série da /segunda emissão, no montante de R$ 700 milhões, com vencimento em 2014, passou de "AA-" para "A+". A subsidiária integral CCSA Finance Limited teve as notas seniores sem garantia, de US$ 250 milhões, com vencimento em 2016, reduzidas de "BB" para "BB-".

"O rebaixamento reflete os efeitos de alavancagem que esta transação terá nas medidas de proteção do crédito da Camargo, que já estavam fracas para a categoria dos ratings, com base na dívida líquida", diz o comunicado distribuído pela Fitch.

A agência acrescenta que a expectativa é de que a dívida líquida da empresa aumente de R$ 7,7 bilhões para R$ 10,1 bilhões, enquanto o índice "pro forma" de alavancagem líquida deverá subir de 2,7 vezes para 3,5 vezes.

Segundo a Fitch, o perfil de crédito da Camargo tem mostrado tendências negativas desde o início de 2009, quando a companhia adquiriu 50% do capital da VBC Energia, do Grupo Votorantim, por R$ 2,6 bilhões, financiados basicamente por dívida.

"A Camargo possui um histórico de manutenção de relevantes saldos de caixa em seus demonstrativos financeiros, a fim de facilitar aquisições e atenuar volatilidades do mercado", diz a Fitch, lembrando que a posição de liquidez da companhia, medida pelo índice caixa/dívida de curto prazo, era de 0,9 vez no final de junho de 2009 e, com a transação da Cimpor, o índice deverá cair para cerca de 0,6 vez.

A agência argumenta que a perspectiva estável reflete as expectativas de que a Camargo continuará administrando seus demonstrativos financeiros para atingir índices de dívida líquida/EBITDA entre 3,5 vezes e 3 vezes. "Uma emissão de ações ou a venda de ativos que não façam parte dos negócios principais do grupo seriam vistas como favoráveis, e poderiam resultar numa ação de rating positiva, dependendo do tamanho e do prazo destes eventos", acrescenta a Fitch.

(Rafael Rosas | Valor)

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