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12/02/2010 - 08h24

Bovespa avançou pelo quarto dia e dólar valeu R$ 1,850

SÃO PAULO - A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) superou a instabilidade do período da manhã e fechou acima dos 65 mil pontos. O dólar oscilou bastante, mas terminou estável, e os juros futuros conservaram o viés de alta. Assim se resume a quinta-feira nos mercados brasileiros.

Na agenda do dia, ficou o plano de ajuda à Grécia, confirmado pela União Europeia, mas ainda sem grandes detalhes. Nos Estados Unidos, os pedidos por seguro-desemprego caíram mais do que o esperado.

Por aqui, o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, teve seu "Dia do Fico", pelo menos até março. Meirelles divulgou uma nota pessoal afirmando que não concorrerá ao governo de Goiás nas eleições de outubro. No entanto, o ministro falou que só se pronuncia sobre seu futuro profissional no fim do próximo mês. Além do governo de Goiás, Meirelles também é cotado para ser vice de Dilma Rousseff, possível candidata do PT à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na Bovespa, as ações da Vale chamaram a atenção, em função da divulgação de resultado, e a Petrobras também ganhou força ao anunciar nova descoberta na Bacia de Campos.

Superando a instabilidade do período da manhã, o Ibovespa fechou com aumento de 1,66%, aos 66.128 pontos, e giro de R$ 6,97 bilhões. Com quatro dias seguidos de alta, o índice já acumula ganho de 5,36% na semana e passa a registrar alta de 1,11% no mês.

Segundo o gestor da Vetorial Asset, Sérgio Machado, o mercado já transcendeu a volatilidade e está errático, pois cai sem grandes motivos e retoma alta também sem novas notícias. " Fora isso, as explicações que surgem são ´ex post´ " , diz Machado, apontando que a ajuda à Grécia ou a queda do seguro-desemprego nos EUA vieram a público antes da puxada do período da tarde.

O que se pode dizer, conforme Machado, é que os investidores estão mais bem humorados com o Brasil. Uma indicação disso é que as posições compradas de agentes estrangeiros no mercado futuro voltaram a subir depois de marcar apenas 3 mil contratos no começo da semana. Machado nota que há muito tempo não era observada uma posição tão reduzida em Ibovespa futuro.

A percepção do especialista também é captada pelos dados sobre a negociação direta na Bovespa. Na terça-feira, dia 9, o estrangeiro fez compras líquidas de R$ 176 milhões, reduzindo o volume de saída no acumulado do mês de R$ 562 milhões para R$ 385 milhões.

Olhando o noticiário externo, Machado faz uma comparação com o fim de 2008, quando o mercado se animava conforme saíam notícias sobre ajuda aos bancos. Mas a questão é que se os bancos naquela época e agora a Grécia precisam de ajuda é porque algum problema tem.

Para hoje, a pergunta que fica é: quem vai ficar comprado durante o feriado de Carnaval?. Segundo Machado, com um mercado que apresenta tal amplitude de variação carregar posição é complicado.

No campo corporativo, as ações PNA da Vale caíram forte no período da manhã, chegando a recuar mais de 3%, mas acabaram o dia com valorização, contribuindo para os ganhos do índice. Chamou atenção uma movimentação atípica com o aluguel de ações da companhia na quarta-feira, dia que antecedeu a apresentação do balanço, mas só possível de ser detectada ontem Cabe lembrar que o aluguel de ações ajuda a medir a expectativa de baixa sobre os ativos de uma companhia, pois o investidor aluga as ações e vende no mercado à vista na esperança de recomprar os ativos mais baratos depois. Ou seja, o agente se expõe apostando ou antevendo uma queda brusca no preço dos ativos.

No pregão na quarta-feira, foram alugadas mais de 12,4 milhões de ações, uma posição que equivale a mais de R$ 400 milhões. A constatação foi feita pelo diretor do portal InvestCerto, Luiz Rogé, que faz o acompanhamento diário dessas posições. Para ilustrar o quão grande foi o aluguel de ontem, o especialista apontou que, nas últimas semanas, a variação diária dos aluguéis não passava de 800 mil ações.

Questionada sobre a movimentação atípica com o aluguel das ações, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), mandou sua resposta padrão: " A CVM acompanha e analisa a movimentação dos papéis da companhia e adota as medidas devidas quando necessário " .

Em Wall Street, os índices também encerraram com ganhos expressivos. O Dow Jones subiu 1,05%, enquanto o S & P 500 e o Nasdaq avançaram 0,97% e 1,38%, respectivamente.

No mercado de câmbio, o dólar fez mínima de R$ 1,843 e máxima de R$ 1864, mas o fechou o dia praticamente estável, com leve valorização de 0,05%, a R$ 1,850 na venda. Na semana, o dólar comercial acumula baixa de 2,17% e, no mês, de 1,86%. No ano, a divisa segue com apreciação, de 6,14%.

Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o dólar subiu 0,16%, para R$ 1,852. O volume despencou de US$ 44,5 milhões para US$ 10,75 milhões. Já os negócios no interbancário subiram de US$ 1,3 bilhão para US$ 2,8 bilhões.

No mercado de juros futuros, o dia foi fraco em termos de indicadores macroeconômicos no cenário doméstico e os contratos apresentaram pouca oscilação, mas conservaram um leve viés de alta.

O diretor de gestão de renda fixa da Máxima Asset Management, César Trotte, avalia que as oscilações dos juros futuros, ainda que pequenas, residem nas incertezas do cenário externo, com o receio de que algumas economias entrem novamente em recessão.

" Desta forma, o mercado avalia que o BC ficaria sem necessidade de apertar juros neste momento, mas os números de inflação têm sempre vindo muito fortes, mostrando que a economia brasileira está crescendo bem, o que já começa a afetar as expectativas " , observou Trotte.

Ao comparar o quadro econômico deste ano com 2008, quando o BC subiu juros, o diretor assinala que, no primeiro trimestre de 2010, a inflação deve se situar em torno de 1,80%, enquanto a alta era de 1,52% no mesmo período de dois anos atrás.

" Além disso, as expectativas de inflação, ainda no primeiro trimestre, já pioraram muito, enquanto, em 2008, seguiam bem comportadas, abaixo do centro da meta " , pontua. De acordo com o último Boletim Focus, do BC, o mercado estima alta de 4,78% neste ano. Em 2008, no último ciclo de aperto promovido pelo BC, a instituição começou a elevar a Selic em abril de 2008 e a taxa passou de 11,25% para 13,75% ao longo do ajuste promovido.

" Se serve de lição, o BC demorou para agir em 2008. Ele precisa subir os juros em março e já deveria ter feito em janeiro, até porque o juro neutro está fora do lugar, abaixo do equilíbrio " , diz Trotte, que projeta aumento dos juros básicos de 250 a 350 pontos, com inflação de 5% no ano.

A Máxima Asset estima que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro terá expansão de 2% a 2,5% no quarto trimestre de 2009 ante os três meses anteriores. " Neste primeiro trimestre, os números também devem estar muito fortes. O hiato do produto já fechou " , destacou o diretor.

Ao fim da jornada na BM & F, o DI com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido do dia, recuava 0,01 ponto percentual, a 10,27%. O vencimento para janeiro de 2012, por sua vez, ganhava 0,01 ponto, a 11,47%, assim como o do primeiro mês de 2013, que avançava 0,03 ponto, a 11,99%. O DI inaugural de 2014 tinha elevação de 0,06 ponto, a 12,23%.

Na ponta mais curta da curva, o vencimento de julho de 2010, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre, registrava acréscimo de 0,01 ponto, a 9,18%, enquanto o DI de abril mantinha taxa de 8,70%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 547.110 contratos, equivalentes a R$ 47,980 bilhões (US$ 25,959 bilhões). O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 263.835 contratos, equivalentes a R$ 24,194 bilhões (US$ 13,09 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor)

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