UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

12/02/2010 - 13h07

Bovespa cai 1,48%, mas ainda registra valorização na semana

SÃO PAULO - A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) firma posição em terreno negativo e devolve parte dos ganhos acumulados nos últimos quatro pregões. Por volta das 13 horas, o Ibovespa perdia 1,48%, marcando 65.150 pontos, com giro de R$ 1,70 bilhão. Na semana, o índice ainda ganha, 3,8%.

Segundo o diretor de renda variável da FinaBank Corretora, Edson Marcellino, as notícias da China trazem incerteza ao mercado, mas existe um pouco de exagero na venda. Hoje, o banco central chinês voltou a tomar medidas restritivas de política monetária. Foi anunciado um aumento de 0,5 ponto percentual no depósito compulsório dos bancos, o que significa uma redução na quantidade de dinheiro disponível para empréstimos.

Vale lembrar que, em meados de janeiro, a autoridade monetária chinesa anunciou uma série de medidas para conter o avanço do crédito e, a cada uma delas, o mercado se questionava sobre uma possível redução no ritmo de crescimento da economia chinesa.

Repetindo o movimento já observado no mês passado, os agentes venderam commodities e voltaram ao dólar. Tal movimento é particularmente negativo à Bovespa, que tem grande número de componentes exportadores de matérias-primas. No câmbio, o dólar mantém firme valorização ante o real, ganhando 0,86%, a R$ 1,866 na venda. Na visão de Marcellino, essa venda mais acentuada na bolsa também tem relação com o Carnaval, já que muitos agentes zeram posições antes do feriado. Fora isso, lembra o diretor, havia espaço para correções, já que o índice acumulava alta de 5,36% na semana até ontem. Para Marcellino, o primeiro trimestre deve mesmo ser marcado pela instabilidade, pois faltam dados para se montar os possíveis cenários para o ano. Após a divulgação dos balanços e dos primeiros dados macroeconômicos de 2010, os agentes terão mais respaldo para fazer contas e tomar posições. No campo corporativo, o diretor nota uma redução na forte movimentação entre os ativos de quinta linha. Alguns papéis, como Telebrás, apresentavam volumes diários inferiores superiores à maioria dos ativos do Ibovespa.

Para Marcellino, a perda de registro da trading agrícola Agrenco, cujos recibos de ação estão suspensos desde ontem, serviu de alerta aos investidores quanto ao risco de se apostar em alguns papéis.

"Não sou contra operar a quinta linha. O investidor pode apostar a vontade nas empresas. Mas ele tem que ir consciente, saber o risco potencial que está correndo", explica Marcellino.

Há pouco, o papel PN da Telebrás caía 11,73%, a R$ 2,03, com volume de R$ 51 milhões. Pet. Manguinhos, que saltou 33% ontem, devolvia 7,03%, a R$ 1,19. Os recibos de ação da Laep, empresa que controla a Parmalat, declinavam 4,10%, a R$ 1,87.

Passando para a chamada primeira linha: Vale PNA recuava 0,95%, a R$ 42,57, Petrobras PN tinha baixa de 0,68%, a R$ 33,13, e OGX Petróleo ON se desvalorizava 2,63%, a R$ 17,36.

Ainda entre os maiores volumes, mas com sinal positivo, MMX ON ganhava 2,84%, a R$ 15,19, maior alta do índice. Foi aprovada a subscrição privada de 101.781.171 ações ordinárias, equivalentes a 21,52% do capital, pela Wuhan Iron and Steel (Wisco). A Wisco pagará o valor total de R$ 738,9 milhões. Caso o aumento de capital seja acompanhado pelos demais acionistas da MMX, poderá somar R$ 1,218 bilhão. As ações da BM & F Bovespa recuavam 2,68%, a R$ 11,97. A companhia anunciou que vai aumentar sua participação no CME Group, dos atuais 1,8% para 5%. O valor do negócio é de US$ 620 milhões. Vale lembrar que a CME tem 5% da bolsa brasileira. O setor de construção liderava as vendas. Cyrela ON cedia 3,37%, a R$ 22,35, e Rossi ON caía 2,84%, a R$ 13,68. Natura ON, Banco do Brasil ON, Lojas Americanas PN, Fibria ON, Vivo PN e Cesp PNB recuavam mais de 2% cada.

Na ponta de compra, LLX ON aumentava 2,12%, a R$ 9,14, CPFL Energia ON se valorizava 1,84%, a R$ 37,99, e B2W Varejo ON avançava 0,61%, a R$ 37,60.

Fora do índice, as ações ON da Açúcar Guarani perdiam 4,21%, valendo R$ 5,47. A empresa reverteu prejuízo líquido ajustado de R$ 88,1 milhões apurado no terceiro trimestre da safra 2008/09 e registrou lucro líquido de R$ 1,8 milhão no mesmo período do ciclo 2009/10.

(Eduardo Campos | Valor)

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host