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12/02/2010 - 14h46

Preço no varejo já sofre efeito de aquecimento da economia, mostra FGV

RIO - Os preços no varejo já sofrem os efeitos da recuperação econômica global. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que responde por 30% do Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10), subiu 1,09%, o maior avanço desde os 1,22% de abril de 2003. No geral, o IGP-10 avançou 1,08%, o maior patamar desde os 2% de julho de 2008.

Entre os principais avanços de fevereiro no varejo, destaque para os ônibus urbanos, que subiram 7,16%, depois de uma alta de 1,89% no mês anterior; a gasolina, com 2,10% após crescimento de 0,50% em janeiro; a manga, que subiu 41,76% depois de uma alta de 19,23% em janeiro; o leite longa vida, que cresceu em fevereiro 5,76% após avanço de 0,21% no mês anterior; e a batata inglesa, que atingiu 9,40% este mês, contra queda de 11,38% em janeiro.

O coordenador de análises econômicas do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), Salomão Quadros, ressaltou que os dois primeiros meses do ano mostram uma movimentação de alta na inflação.

"De dois meses para cá houve a confirmação de uma pequena, mas consistente, aceleração da inflação. Não é nada explosivo, mas há vários sinais que mostram que a tendência da inflação é de elevação", frisou.

Quadros revelou que, apesar de fortes impactos pontuais que são comuns no começo do ano, como as tarifas de ônibus, a aceleração dos preços acontece de uma forma generalizada, o que indica um efeito da recuperação da economia sobre os preços.

O economista evitou antecipar uma possível elevação da taxa básica de juros da economia brasileira, mas admitiu que, quando o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) voltar a se reunir, em março, terá diversos indicadores para analisar a trajetória da inflação. Segundo ele, já há indícios de afastamento do IPCA - índice oficial de inflação brasileiro - do centro da meta de 4,5% ao ano.

"Pode ser que o BC faça isso (aumente os juros) em março, mas até lá há outros indicadores que virão", disse, citando o IPCA de fevereiro, o IGP-M, o IGP-DI e os dados da produção industrial.

O economista lembrou que o Índice de Preços do Atacado (IPA), que responde por 60% do IGP-10, também acelerou em fevereiro, passando de 0,07% no mês anterior para 1,15%, o maior patamar desde os 2,54% de julho de 2008. Salomão ponderou que alguns desses preços já chegaram ao varejo, enquanto outros poderão refletir adiante no bolso do consumidor.

Entre os exemplos de produtos que poderão ter efeitos futuros no varejo, destaque para a carne bovina, que subiu 2,21% no atacado, enquanto no varejo ainda houve deflação de 0,49% em fevereiro.

"As carnes devem estar iniciando um processo de recuperação, depois uma queda forte no ano passado", explicou Quadros, lembrando que no atacado o produto recua 9,06% nos últimos 12 meses.

(Rafael Rosas | Valor)

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