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12/02/2010 - 15h24

Temor com Grécia faz Fundos Emergentes perderem US$ 2,9 bilhões

SÃO PAULO - A preocupação com uma possível contaminação dos problemas fiscais da Grécia cobrou um preço caro dos Fundos de Ações de Mercados Emergentes. Na semana encerrada dia 10, as carteiras perderam US$ 2,9 bilhões, maior saque desde o final de julho de 2008, segundo os dados compilados semanalmente pela EPFR Global.

Os Fundos de Ações da América Latina também perderam recursos e passaram a registrar saldo negativo no ano. As carteiras Ásia (ex Japão) e Emergentes da Europa, Oriente Médio e África (EMEA, na sigla em inglês) fecharam a semana com saldo negativo. Mas o grande perdedor foi o grupo Mercados Emergentes Globais (GEM, na sigla em inglês), que deu adeus a US$ 1,76 bilhão, ou 60% de todo o saque efetuado nas principais categorias emergentes.

No cômputo geral, a incerteza gerada pela situação da dívida soberana da Grécia e outros países da Europa contribuiu para uma perda de US$ 5,34 bilhões em todas as carteiras de ações acompanhadas. Já os fundos de bônus, emergentes ou desenvolvidos, levantaram outros US$ 3,7 bilhões, elevando o saldo do ano para cima dos US$ 26 bilhões.

No entanto, esse aumento na aversão ao risco não resultou em maior demanda pelos "money market funds". O retorno é tão baixo que os agentes preferem "proteger" seu capital de outra forma. E isso fica explicitado pela retirada de US$ 9,62 bilhões na semana, e pelo saldo negativo de quase US$ 80 bilhões no ano.

Passando para os desenvolvidos, os Fundos de Ações do Japão foram exceção ao levantar dinheiro novo pela sétima semana seguida. Melhor resultado desde meados de 2008. Os agentes passaram por cima do recall da Toyota e do baixo crescimento dos empréstimos e montam posições tomando como base o maior investimento do setor industrial.

Os fundos da Europa perderam dinheiro, mostrando que os agentes querem se distanciar de possíveis contaminações advindas dos problemas fiscais da Grécia. No entanto, a consultoria notou que as cifras não foram muito representativas.

Nos Estados Unidos, os resgates também foram maioria, mas não em volume que chamasse a atenção. A EPFR Global ressalta, no entanto, que desde o começo de 2010 essas carteiras não viram dinheiro novo entrando e, com isso, apresentam saldo negativo de US$ 21 bilhões no ano.

Entre os fundos setoriais, o fortalecimento do dólar, as dúvidas sobre o ritmo de recuperação da economia mundial e preços em baixa seguiram pressionando as carteiras de Commodities, que perderam US$ 526 milhões na semana do dia 10. Os veículos com foco em Serviços Públicos e Tecnologia também perderam dinheiro. Mas Saúde/Biotecnologia e Finanças, assim com Energia, tiveram modestas captações.

(Eduardo Campos | Valor)

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