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17/02/2010 - 16h15

DIs longos se ajustam para baixo, em dia de baixa liquidez

SÃO PAULO - Depois de estar fechado nos dois primeiros dias da semana, o mercado de juros futuros apresentou uma redução dos prêmios de risco nos negócios desta quarta-feira e os contratos de Depósitos Interfinanceiro (DIs) mais longos se ajustaram para baixo na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F).

Em um dia de curta duração, com o início das operações apenas às 13h, foi registrado um fraco volume de negócios, em meio à maior cautela dos investidores.

Ao fim da jornada, na parte mais longa da curva de juros, o DI com vencimento em janeiro de 2011, referência de mercado, registrava decréscimo de 0,01 ponto percentual, a 10,23%, enquanto o contrato do primeiro mês de 2012 recuava 0,04 ponto, a 11,41%. Já o DI do início de 2013 operava estável, a 11,98%, e o de janeiro de 2014 caía apenas 0,01 ponto, a 12,27%.

Na parte curta da curva, o DI com vencimento em julho de 2010, que divide as apostas entre alta de juros no primeiro ou segundo semestre, projetava taxa de 9,15%, igual ao último fechamento. Ainda entre os curtos, o contrato de abril subia 0,01 ponto, a 8,70%. Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 306.770 contratos, equivalentes a R$ 27,694 bilhões (US$ 14,833 bilhões), abaixo do volume registrado na sexta-feira (364.835 contratos). O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 123.705 contratos, equivalentes a R$ 11,357 bilhões (US$ 6,083 bilhões).

No front doméstico, o Boletim Focus, do Banco Central (BC), revelou que os agentes financeiros elevaram pela quarta semana seguida a projeção para a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2010, desta vez de 4,78% para 4,80%. A previsão para o IPCA em fevereiro também aumentou de 0,63% para 0,67%. Para 2011, o mercado segue apostando em alta de 4,50% do indicador.

A estimativa das instituições para a taxa básica de juros (Selic) ao fim deste ano ficou em 11,25% pela quarta semana, enquanto, para 2011, a previsão subiu de 11% para 11,25%. O Focus ainda apontou que o mercado projeta expansão de 5,47% do PIB neste ano, melhora em relação ao boletim anterior (5,35%). Para 2011, a perspectiva se manteve de crescimento de 4,5% da economia brasileira.

O economista-chefe do Banco Schahin, Sílvio Campos Neto, assinala que os DIs iniciaram o dia em alta, refletindo possivelmente a mudança do Focus.

Segundo ele, a reversão do rumo do mercado, em um dia de baixa liquidez, não tem "grandes" explicações, e a tendência é de baixa para os próximos dias, por conta das preocupação com o cenário externo. "Possivelmente, o Banco Central terá que aguardar um pouco mais para iniciar o aperto monetário", pontuou.

Ainda nesta tarde, às 17h, o Federal Reserve (Fed), banco central americano, divulga a ata referente à reunião realizada no fim de janeiro. Na ocasião, a taxa básica de juros do país foi mantida no intervalo de 0% a 0,25%.

Na agenda de amanhã, o destaque interno deve ficar com a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), relativo à segunda quadrissemana de fevereiro.

Além disso, o ministério do Trabalho e Emprego anuncia os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) referentes ao mês de janeiro.

(Beatriz Cutait | Valor)

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