UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

17/02/2010 - 16h28

Venezuela pode importar energia do Brasil

SÃO PAULO - O governo da Venezuela irá analisar propostas formais apresentadas por países vizinhos, incluindo o Brasil, para importar energia elétrica, segundo a Agencia Bolivariana de Noticias. A declaração foi feita nesta terça-feira pelo ministro do Poder Popular para a Energia Elétrica, Alí Rodríguez Araque. "Uma vez que as ofertas sejam concretizadas, iremos considerá-las", disse. "Não é bom cruzar o rio antes de chegar à ponte. Se há alguma oferta por parte da Colômbia, iremos analisá-la, assim como o Brasil nos fez uma oferta", afirmou o ministro.

"Como se sabe, nós estamos exportando até 80 megawatts para o Brasil. Eles instalaram capacidade de termogeração e relataram a possibilidade de deixar de importar para então exportar eletricidade para cá", acrescentou.

Araque também ressaltou que, mais do que importar energia elétrica para o país, o primordial para o governo é incrementar a geração de eletricidade por meio dos variados projetos que estão sendo realizados em diversos pontos estratégicos do país, para reduzir a dependência do fornecimento nacional de energia da hidrelétrica de Guri.

A represa de Guri, localizada no estado de Bolívar, alimenta as centrais hidrelétricas de Guri, Caruachi e Macagua, que geram 73% da eletricidade da Venezuela.

A Venezuela tem enfrentado uma crise energética causada pela falta de chuva, tendo, ainda neste mês, declarado estado de emergência elétrica e lançado um plano de economia de eletricidade que contempla desde sanções até incentivos nas contas, tanto para clientes residenciais como comerciais e industriais. A previsão para a duração do estado de emergência era de 60 dias, podendo ser prorrogado.

O presidente Hugo Chávez havia anunciado uma redução de até 50% da conta para clientes residenciais que diminuam o consumo em 20%, e uma cobrança extra de até 200% para quem elevar o consumo também em 20%. O problema levou o governo a racionar a distribuição de energia e isso afetou a popularidade do presidente, faltando pouco tempo para as eleições legislativas de setembro. Mas Chávez pretende manter a maioria da Assembleia Nacional para continuar as reformas de seu projeto socialista. Embora o governo alegue que a causa da escassez de energia é a seca, a oposição e especialistas afirmam que ela foi causada por falta de investimentos no setor, bem como ao pouco preparo para enfrentar o crescimento do consumo.

(Karin Sato | Valor, com agências internacionais)

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host