UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

18/02/2010 - 08h30

Bovespa volta de feriado com alta de 2% e dólar cai a R$ 1,828

SÃO PAULO - Os mercados brasileiros tiveram um pregão de ajuste na volta do feriado de Carnaval. Como o humor foi positivo no resto do mundo enquanto as bolsas estavam fechadas por aqui, a correção foi de alta na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e de queda no preço do dólar. Já os juros futuros apresentaram leve viés de baixa.

Na agenda do dia, apareceu uma série de indicadores sobre a economia americana. A construção de novas moradias subiu 2,8% em janeiro, para 591 mil unidades na taxa anualizada. Já a produção industrial mostrou alta de 0,9% no mês passado, em linha com o esperado. Também foi divulgada uma alta de 1,4% no preço de importação em janeiro. No final da tarde, foi conhecida a ata do Federal Reserve (Fed), banco central americano. O documento mostrou falta de consenso entre os membros do colegiado sobre a retirada dos planos de estímulos. Parte deles se mostra impaciente e quer que o Fed venda logo os ativos que tem em carteiras, como títulos imobiliários, enquanto outro grupo teme que, se tal atitude se mostrar precipitada, pode prejudicar o ritmo de recuperação da economia.

Falta consenso também quanto à forma de encarar os preços. Parte do grupo ainda teme deflação, enquanto outra parcela está preocupada com um risco de alta nos preços. O comitê também mostrou que segue trabalhando com um moderado ritmo de crescimento, com um fraco mercado de trabalho.

O Fed também atualizou algumas de suas projeções econômicas. O PIB americano deve crescer de 2,8% a 3,5% em 2010, projeção com piso mais elevado do que a feita em novembro, quanto previa uma expansão entre 2,5% e 3,5%. Para a taxa de desemprego, a faixa central está em 9,5% a 9,7%. Em novembro, a autoridade monetária projetava taxa de desemprego entre 9,3% e 9,7%.

Na Bovespa, o dia começou com valorização de mais de 2% para o Ibovespa, que operou acima dos 67 mil pontos durante praticamente todo o pregão. Ao final da jornada, o Ibovespa apontava avanço de 2,17%, aos 67.284 pontos, com giro financeiro de R$ 7,35 bilhões.

O dia também marcou o vencimento do Ibovespa futuro, operação que movimentou R$ 981,2 milhões, menor volume desde fevereiro de 2009. O contrato de fevereiro foi liquidado e a referência passa a ser o vencimento de abril. Em Wall Street, os índices confirmaram os ganhos acentuados da terça-feira, e voltaram a subir, mas de forma mais modesta. O Dow Jones garantiu elevação de 0,39%, enquanto o S & P 500 e o Nasdaq tiveram acréscimo de 0,42% e 0,55%, respectivamente.

Dia de ajuste também no mercado de câmbio, onde o dólar perdeu valor de ponta a ponta do pregão, apesar da força da moeda americana no cenário externo.

Ao fim da jornada, o dólar comercial era negociado a R$ 1,826 na compra e R$ 1,828 na venda, queda de 1,66%. O preço é o menor registrado no mês. Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), não houve transações. Já os negócios no interbancário caíram de US$ 1,1 bilhão na sexta-feira, para US$ 114,7 milhões.

No mercado de juros futuros, o volume negociado foi baixo e o pregão teve dois momentos distintos. No começo dos negócios, os vencimentos acumularam prêmio de risco, reagindo à piora de projeções captadas pelo Boletim Focus, do Banco Central (BC). Já à tarde a curva perdeu prêmio de risco.

Para o economista-chefe do Banco Schahin, Sílvio Campos Neto, a reversão de rumo em um dia de baixa liquidez, não tem " grandes " explicações, e a tendência é de baixa para os próximos dias, por conta das preocupações com o cenário externo. " Possivelmente, o Banco Central terá que aguardar um pouco mais para iniciar o aperto monetário " , pontuou.

A sondagem do BC junto ao mercado financeiro mostrou piora na projeção de inflação pela quarta semana consecutiva. O prognóstico para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu de 4,78% para 4,80%. Mas, para 2011, o mercado segue apostando em inflação de 4,50%. Ao fim da jornada, na BM & F, o Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011, referência de mercado, registrava decréscimo de 0,01 ponto percentual, a 10,23%, enquanto o contrato do primeiro mês de 2012 recuava 0,04 ponto, a 11,41%. Já o DI do início de 2013 operava estável, a 11,98%, e o de janeiro de 2014 caía apenas 0,01 ponto, a 12,27%.

Na parte curta da curva, o DI com vencimento em julho de 2010, que divide as apostas entre alta de juros no primeiro ou segundo semestre, projetava taxa de 9,15%, igual ao último fechamento. Ainda entre os curtos, o contrato de abril subia 0,01 ponto, a 8,70%. Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 306.770 contratos, equivalentes a R$ 27,694 bilhões (US$ 14,833 bilhões), abaixo do volume registrado na sexta-feira de 364.835 contratos. O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 123.705 contratos, equivalentes a R$ 11,357 bilhões (US$ 6,083 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor)

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host