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18/02/2010 - 12h33

Dólar acentua alta, após leilão de swap cambial reverso

SÃO PAULO - Os compradores apareceram para movimentar o pregão, depois de o Banco Central (BC) anunciar o sétimo leilão de swap cambial reverso do ano por volta de 11 horas. A alta do dólar comercial observada desde a abertura do pregão se acentuou.
"A reação foi imediata. O volume movimentado no mercado aumentou", comenta o economista-chefe da Prosper Corretora, Eduardo Velho.
Minutos antes do swap reverso, o BC tinha realizado um leilão no mercado a termo de câmbio. O preço da moeda, contudo, não sofreu mudança após o anúncio da operação. Isso mostra que o leilão de swap reverso - operação que, na prática, equivale a uma compra de dólares no mercado futuro - produz mais efeito sobre a cotação do dólar, em comparação com as ações da autoridade monetária nos mercados à vista e a termo.
Por volta das 12h45, o dólar comercial registrava valorização de 0,42%, cotado a R$ 1,668 na compra e a R$ 1,670 na venda.

No mercado futuro, o contrato de março negociado na BM&F subia 0,45%, a R$ 1,672.
No exterior, o dólar reverteu a direção observada pela manhã e, instantes atrás, estava perdendo das principais divisas rivais. O Dollar Index, que mede o desempenho da moeda americana ante uma cesta de divisas, recuava 0,11%. O euro, por sua vez, subia 0,05% em relação ao dólar, cotado a US$ 1,361.
O índice CRB, que mensura o desempenho das commodities, operava praticamente estável, com leve recuo de 0,04%.

Foram divulgados os resultados dos dois leilões promovidos pelo BC. No leilão de swap reverso, foram vendidos todos os 30 mil contratos ofertados, movimentando U$S 1,47 bilhão. Vale sublinhar que, nos demais leilões desse tipo realizados em 2011, tinham sido ofertados 20 mil contratos. Já no leilão a termo, a taxa de corte correspondeu a R$ 1,6700.

Nenhuma das operações contou com aviso prévio de um dia, o que reforça a tese de que o BC quer surpreender e reduzir a previsibilidade de sua atuação, de acordo com Velho. "É como se fosse uma briga de forças, mas não é com o mercado que a autoridade monetária está brigando, e sim com o fluxo de recursos ao país", opina.
A atuação mais agressiva do BC para conter a alta do real nesta jornada também sinaliza uma entrada forte de capital no Brasil nas próximas semanas, já que a instituição tem tentado se antecipar, principalmente no que se refere às captações de empresas no exterior.

Para o analista de câmbio da BGC/Liquidez Corretora, Mario Paiva, está claro que o dólar próximo de R$ 1,65 não agrada o governo. "O BC fica muito incomodado quando a moeda americana está nesse patamar", avalia.
Na opinião dele, a instituição está monitorando com atenção e cautela a movimentação no mercado de câmbio interno, com o objetivo de "evitar qualquer tipo de distorção". "Todas as vezes que ocorre um exagero (uma queda mais acentuada do dólar), o BC tenta corrigir esse exagero e trazer mais equilíbrio ao mercado", afirma Paiva.

Velho acredita que, ao ampliar a quantidade de contratos ofertados no leilão de swap cambial reverso, a autoridade monetária indicou que "não há regras" de intervenção. "O BC quer mostrar que pode ser mais agressivo, conforme a necessidade, sem regras relacionadas a volume ou preço", diz.

(Karin Sato | Valor)
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