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25/02/2010 - 16h29

Após compulsórios, dados de emprego e IGP-M, DIs fecham quase estáveis

SÃO PAULO - Principal notícia a repercutir no mercado de juros futuros nesta quinta-feira, o aumento das alíquotas do compulsório anunciado na noite de ontem pelo Banco Central (BC) trouxe interpretações distintas das instituições financeiras em relação ao impacto nas próximas decisões de política monetária.

Se, de um lado, uma parte do mercado avaliou que o BC já quis sinalizar que o aumento da taxa básica de juros está mais perto do que se imaginava, outra parcela considerou que a instituição resolveu " ganhar tempo " para observar a trajetória econômica e só mexer na Selic mais para frente.

O Itaú Unibanco está no primeiro time. "Nossa leitura das medidas de ontem é feita, primeiramente, pelo ângulo prudencial. De fato, há mais liquidez no sistema do que é necessário neste momento. Mas o BC também sinalizou uma direção de política monetária, em um momento de alta das expectativas de inflação. A liberação dos compulsórios sugere conforto com a solidez da economia e preocupação com a inflação. Reforça nosso cenário de que o ciclo de alta dos juros é iminente e deve se iniciar na próxima reunião do Copom em 17 de março", ressaltou a instituição, em relatório ao mercado.

Para a Austin Rating, entretanto, a sinalização dada pelo BC foi outra. "Com a alteração do compulsório, o BC ganha fôlego para confirmar a alta de juros no segundo semestre, que pode inclusive ter uma intensidade mais modesta", comentou o economista-chefe da instituição, Alex Agostini.

Outra notícia de peso que veio com um resultado abaixo do esperado pelo mercado foi a divulgação dos dados do mercado de trabalho pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo a instituição, a taxa de desemprego nacional cresceu de 6,8%, em dezembro de 2009, para 7,2%, no primeiro mês deste ano, patamar inferior ao projetado pelas instituições. Em janeiro do calendário passado, o nível de desocupação estava em 8,2%. Já a Fundação Getúlio Vargas (FGV) informou que o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) avançou 1,18% em fevereiro, seguindo elevação de 0,63% em janeiro.

Por fim, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) ainda mostrou que o nível de utilização da capacidade instalada (NUCI) da indústria de transformação paulista atingiu 81,7% em janeiro, inferior aos 82,4% de dezembro passado, mas acima dos 78,8% de janeiro de 2009, na série com ajuste sazonal.

Com a reação dissonante do mercado ante os dados divulgados, os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) encerraram os negócios praticamente estáveis.

Ao fim da jornada na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o DI com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido do dia, subia 0,01 ponto, a 10,40%. Também praticamente estável, o DI com vencimento no mesmo mês de 2012 caía 0,01 ponto, a 11,58%. Os contratos com vencimento em janeiro de 2013 e de 2014, por sua vez, recuavam 0,03 ponto, a 11,99% e a 12,23%, respectivamente.

Entre os vencimentos curtos, julho de 2010, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre, subia 0,01 ponto, a 9,27%, e o DI de abril mantinha taxa de 8,736%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 1.101.755 contratos, equivalentes a R$ 97,817 bilhões (US$ 53,737 bilhões), um aumento de 23,3% em relação ao volume de ontem. O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 462.590 contratos, equivalentes a R$ 42,512 bilhões (US$ 23,354 bilhões).

Na gestão da dívida pública, o Tesouro teve venda integral dos 800 mil títulos ofertados no leilão de Notas do Tesouro Nacional Série F (NTN-F), a R$ 724,5 milhões. No leilão de Letras do Tesouro Nacional (LTN), a instituição vendeu 1,985 milhão dos 2 milhões de títulos ofertados, a R$ 1,584 bilhão. Esta foi a última operação do Tesouro neste mês.

Para encerrar fevereiro, a agenda de amanhã reserva poucos indicadores no Brasil, com destaque apenas para a Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação relativa a este mês, a ser divulgada às 8h, pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

(Beatriz Cutait | Valor)

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