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25/02/2010 - 13h17

Mercado de juros repercute dados de emprego, IGP-M e compulsórios

SÃO PAULO - Em uma manhã carregada de indicadores brasileiros, o mercado de juros futuros repercute os dados de emprego e de inflação, além do aumento das alíquotas do compulsório anunciado na noite de ontem pelo Banco Central (BC).

A instituição monetária vai recolher R$ 71 bilhões dos R$ 99,8 bilhões que injetou no mercado financeiro em depósitos compulsórios, em 2008, para irrigar os bancos, sobretudo as pequenas e médias instituições. Com as novas regras, o BC vai enxugar a liquidez disponível no mercado e reduzir o potencial de expansão da oferta de crédito na economia, que é um dos motores do crescimento.

Ontem à noite, o diretor de Política Monetária do BC, Aldo Mendes, negou que a recomposição de alíquotas do compulsório vá elevar os juros ou reduzir a oferta de crédito ao consumidor. " É uma decisão micro de cada banco " , afirmou.

Em relatório divulgado ao mercado, o Santander observou que não considera a ação adotada pelo BC como um substituto para uma alta de juros. "Em vez disso, entendemos que a medida representa exatamente o anunciado, ou seja, um gradual retorno à normalidade à medida que os efeitos da crise são superados. No entanto, a medida deve ter impactos diretos sobre o crescimento da carteira de crédito', pontuou.

Nesta manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ainda informou que a taxa de desemprego nacional cresceu de 6,8%, em dezembro de 2009, para 7,2%, no primeiro mês deste ano. Em janeiro do calendário passado, contudo, o nível de desocupação estava em 8,2%.
"O resultado revela um mercado de trabalho mais aquecido do que o que inicialmente se esperava, o que pode implicar pressões inflacionárias maiores. O dado, portanto, reforça nossa visão de que o Banco Central deve começar a elevar juros já na reunião de março", disse o Santander.

Para a CM Capital Markets, os números melhores que o esperado do emprego reforçam a necessidade do BC em adotar medidas de contenção do consumo, como o aumento do compulsório.
"O fortalecimento do mercado de trabalho esperado para este ano, no entanto, deve contrabalançar estas medidas, favorecendo a manutenção do consumo em patamar elevado. Portanto, julgamos que, apesar das medidas adotadas, o BC terá que agir em breve aumentando os juros para evitar uma maior deterioração do cenário prospectivo de inflação. No nosso cenário, o Copom iniciará o ciclo de aperto monetário em abril com uma alta de 50 pontos, permanecendo neste ritmo até o final do ano, o que faria a taxa Selic fechar o ano em 11,75%", destacou a instituição, em relatório.

A Fundação Getúlio Vargas (FGV) também revelou que o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) avançou 1,18% em fevereiro, seguindo elevação de 0,63% um mês antes.

Com forte oscilação no início dos negócios, os juros futuros começam a firmar uma trajetória na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F).

Na parte longa da curva, o Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2011, referência de mercado, registrava, há pouco, acréscimo de 0,02 ponto percentual, a 10,41%, enquanto o contrato de janeiro de 2012 operava estável, a 11,59%. Já os DIs para os primeiros meses de 2013 e 2014 cediam 0,04 ponto e 0,02 ponto, respectivamente a 11,98% e a 12,24%.

Na parte curta da curva, o DI com vencimento em julho de 2010, que divide as apostas entre alta de juros no primeiro ou segundo semestre, projetava taxa de 9,27%, alta de 0,01 ponto. Ainda entre os curtos, abril de 2010 estava estável, a 8,73%.

Na gestão da dívida pública, o Tesouro realiza leilão tradicional de Letras do Tesouro Nacional (LTN) e de Notas do Tesouro Nacional Série F (NTN-F).

(Beatriz Cutait | Valor)

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