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25/02/2010 - 13h13

Moody's elogia Brasil e fala em revisão de nota em 2011

SÃO PAULO - A agência de classificação de risco Moody's teceu elogios à economia brasileira em seu relatório anual sobe o país e comentou sobre a possibilidade de revisão de nota em 2011.

Na visão da agência, os ratings atuais dos títulos do governo "Baa3" com perspectiva positiva capturam tanto a melhoria substancial que tem sido observada no perfil de crédito do país quanto a presença de perspectivas favoráveis de médio prazo, visto que o país está bem posicionado para retomar o crescimento em ritmo acelerado.

Para a Moody's, o desempenho do Brasil durante a recente crise global confirmou sua resistência econômica e financeira.
"Uma breve contração do PIB, enfraquecimento mínimo da posição do país em termos de reservas internacionais e ausência de estresse financeiro no sistema bancário refletem a capacidade elevada de absorção de choque, que está consistente com os ratings de grau de investimento do governo", disse o vice-presidente da Moody's, Mauro Leos, em comunicado.

O relatório diz ainda que a perspectiva positiva atribuída à nota do Brasil considera que o recente episódio da crise financeira global não teve impacto grave sobre as perspectivas de médio prazo do país.

Leos observou que se a orientação das políticas for construída a partir do progresso feito nos anos anteriores, a deterioração que foi divulgada nos indicadores de dívida do governo em 2009 poderia ser revertida, "elevando a probabilidade dos ratings soberanos do Brasil serem colocados em revisão no próximo ano".

No relatório, Leos também indica que os ratings atuais incorporam uma avaliação favorável da continuidade das políticas fiscal e monetária.
O documento também ressalta como características positivas a força econômica relativa do Brasil, algo refletido pela grande escala da economia e pelo alto grau de diversificação da base produtiva.

Como mencionado anteriormente, os desafios vêm do lado fiscal, já que o país apresenta uma tendência persistente de elevação da despesa primária.
Fora isso, os indicadores de dívida do governo estão acima das referências dos pares brasileiros (dívida bruta equivalente a 60% do PIB), assim como as necessidades de financiamento bruto, que excedem 10% do PIB.

Por outro lado, o relatório ressalta que o balanço patrimonial do governo tem se fortalecido cada vez mais, resultado da melhoria na estrutura de dívida, que reduziu significativamente a exposição do crédito ao câmbio e aos riscos de taxas de juros.

"A dívida denominada em moeda estrangeira agora é responsável por menos de 10% da dívida do governo, enquanto a dívida com taxa pós-fixada caiu constantemente nos últimos seis anos para 33% no final de 2009", disse Leos.

A agência também teceu comentários sobre o ambiente político, e reafirmou sua visão de baixa susceptibilidade ao risco de evento político. Segundo a Moody's esse é um componente crucial do rating do Brasil, já que incorpora a presunção de que a continuidade de políticas é provável, independente de quem seja eleito.

Ainda no campo político, a agência avalia que as diferenças entre os dois principais concorrentes, na visão da Moody's José Serra e Dilma Rousseff, são consideradas mais de estilo do que de essência.

(Valor)

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