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25/02/2010 - 18h50

Petrobras lança nova modalidade de leilão de gás

RIO - A Petrobras vai lançar, a partir de 16 de março, uma nova modalidade de leilão de gás natural para as distribuidoras interessadas em comprar, por preços menores que os contratados, volumes adicionais do insumo. Agora, além do leilão padrão, haverá negociações semanais adicionais nas quais as distribuidoras poderão adquirir novos volumes de gás.

A estatal já realiza leilões de gás natural desde o ano passado, e as distribuidoras obtiveram, em média, uma redução de 41% nos preços em comparação aos contratos de longo prazo que têm com a estatal.

A oferta do leilão de 16 de março será de 22 milhões de metros cúbicos diários do produto. Cada distribuidora fará uma oferta e será obrigada a retirar ao menos 30% dos volumes contratados no certame. Na semana seguinte, até quinta-feira, cada companhia poderá negociar volumes adicionais, desde que o certame de 16 de março não tenha atingido o teto de 22 milhões de metros cúbicos diários.

" Tenho certeza que não vendo 22 milhões de metros cúbicos nem se eu der esse gás, porque não tem mercado " , afirmou a diretora de Gás e Energia da Petrobras, Maria das Graças Foster.

A diretora explicou que as ofertas do leilão já terão preços menores que aqueles constantes nos contratos de longo prazo existentes entre a estatal e as distribuidoras. Nesta modalidade de longo prazo, as companhias de distribuição são obrigadas a retirar ao menos 85% do gás contratado.

Nas negociações semanais feitas após o leilão, as distribuidoras se comprometerão a retirar 100% do gás contratado, mas terão a vantagem de pagar menos que o valor dos acordos de longo prazo e menos que o desembolsado no leilão de 16 de março. Como benefício extra para incentivar o consumo, a Petrobras adotou um bônus, que incidirá sobre os volumes - atingidos com a soma das quantidades adquiridas no leilão de 16 de março e nos leilões semanais - que excederem as quantidades habitualmente compradas por cada uma das distribuidoras.

O gerente executivo de Marketing e Comercialização da área de Gás e Energia, Antônio Monteiro de Castro, explicou que os volumes excedentes às médias compradas serão abatidos do preço dos contratos de longo prazo. Ou seja, se uma empresa compra em média 2 milhões de metros cúbicos diários e atingiu - somando o leilão de 16 de março e as negociações nas semanas subsequentes - 2,5 milhões de metros cúbicos, a Petrobras cobrará os preços do leilão de 16 de março para 500 mil metros cúbicos de gás que a empresa adquirir na modalidade de contrato de longo prazo.

O prazo do leilão de 16 de março será de seis meses, com entrega a partir de 1º de abril. Nas negociações semanais, as distribuidoras poderão solicitar volumes de gás natural por período de até quatro semanas.

Maria das Graças afirmou que cerca de 95% do gás ofertado no leilão corresponderá ao insumo que não é usado pelo setor elétrico e o restante por volumes não utilizados pela indústria. A diretora garantiu que os contratos firmados no leilão e nas negociações semanais é firme e inflexível, o que significa que a Petrobras se compromete a entregá-lo mesmo que o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) determine o uso do insumo para geração de energia por termelétricas.

Segundo ela, a possibilidade de importação de volumes maiores da Bolívia e a flexibilidade dada pelos 21 milhões de metros cúbicos de capacidade dos terminais de regaseificação de gás natural liquefeito (GNL) garantem o abastecimento.

A diretora confirmou que o interesse é reduzir o preço do insumo no mercado nacional e frisou que, embora não possa vender gás diretamente aos consumidores, explicou aos grandes consumidores, em reunião, o sistema de leilão e a possibilidade da compra por menores preços.

" Não há interesse da Petrobras de baixar o preço par as distribuidoras engordarem as margens. Porém, nós não temos relação comercial com os consumidores " , afirmou.

(Rafael Rosas | Valor)

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