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26/02/2010 - 12h30

Allianz fecha apólice para Copa 2014

SÃO PAULO - A apólice cobre diversos riscos relacionados exclusivamente ao andamento da obra, como atrasos na entrega causados por más condições climáticas, falhas de cálculos e problemas com os materiais, até o limite de R$ 8,2 milhões. Foi emitida pela Allianz, a mesma seguradora que construiu e dá nome ao estádio Arena de Munique, palco do jogo de abertura da Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, e sede dos times TSV e Bayern. Por enquanto não há intenção da filial da Allianz repetir o feito em seu país de origem e bancar a construção de um estádio no Brasil. Porém, negócios como o seguro do Mineirão estão no topo da lista de prioridades da companhia, garante seu presidente, o chileno Max Thiermann. O Mineirão é o primeiro estádio a passar por reformas dentro do cronograma de preparação para a Copa acertado entre o governo e a Fifa - a federação internacional de futebol. O executivo vê um enorme horizonte à frente: " A Copa vai acontecer em 12 estados. Algumas obras têm agenda definida. Não é só estádio, há também infraestrutura de transporte, hotelaria, gastronomia e será necessário remodelar aeroportos " , disse Thiermann, antevendo a necessidade de muito mais coberturas de seguros. Seguro garantia é um dos ramos nos quais a Allianz quer ampliar a participação dentro do negócio segurador de grandes riscos corporativos. Segmento que vem se expandindo cada vez mais no Brasil, embalado com a abertura do mercado de resseguros e a quebra do monopólio do IRB, o mercado corporativo vem atraindo a atenção de muitas seguradoras de origem estrangeira, donas de grandes operações no mercado internacional. Elas encontraram espaço também por um recuo tático das grandes seguradoras de capital nacional, que têm se voltado mais para os seguros de varejo e acumulação.

A Allianz foi uma das seguradoras que mais cresceram nos últimos anos, embalada por estas mudanças no cenário do mercado segurador brasileiro. Em 2009 faturou R$ 2,25 bilhões em prêmios, 19,2% mais que em 2008 e aumentou seu lucro líquido em 7,8%, para R$ 80 milhões. A maior parte de seu faturamento (40%) vem da venda do tradicional seguro de automóveis no varejo. Porém a carteira de grandes riscos e transportes tende a avançar da participação atual em torno de 25%. " Tem sido nossa prioridade nos últimos anos e deve continuar " , disse Max Thiermann, em entrevista ao Valor. Ele contou que um dos negócios viabilizados pela abertura em resseguros é a oferta de programas mundiais para as novas multinacionais brasileiras. É o que sempre fizeram os grandes grupos multinacionais americanos e europeus que têm seus seguros contratados a partir das matrizes para todas as filiais no mundo inteiro. " Hoje as companhias brasileiras com operações em outros países são obrigadas a contratar seguros em cada um dos países onde têm seus escritórios. Vamos começar a originar programas de seguros internacionais aqui no Brasil. Isso antes não era possível por causa do monopólio " , explicou Thiermann. Embora o foco de expansão da Allianz seja a carteira de riscos empresariais, Thiermann conta que a seguradora também vai voltar a vender seguros de vida, negócio do qual havia saído em 2004 ao vender a carteira para a Itaú Seguros. Porém agora vai dar preferência a apólices de vida individual ou para grupos de afinidades, com produtos feitos " sob medida " .

Um exemplo é o Evangevida, um produto que já está no mercado, desenvolvido exclusivamente para venda entre adeptos da igreja evangélica. Thiermann diz que este público tem um perfil diferenciado, de baixo risco de vida (não bebem, não fumam, geralmente não se arriscam em aventuras e baladas noturnas). Consequentemente trazem menos risco para a seguradora que, em contrapartida, pode fazer um preço melhor. Thiermann desmentiu rumores divulgados pela imprensa de que a Allianz esteja à venda e que esteja comprando ou vendendo carteiras ou qualquer negociação de fusão e aquisição no Brasil. " Estamos satisfeitos com o crescimento orgânico " , concluiu. (Janes Rocha | Valor)

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