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26/02/2010 - 13h57

Após perder Cimpor, CSN diz que está atenta a oportunidades

SÃO PAULO - Após o fracasso da oferta pública pela portuguesa Cimpor, a CSN afirma que está " atenta ao mercado " . " Não estamos olhando nada específico no momento, mas o mundo está aí e existem oportunidades " , disse hoje o diretor financeiro Paulo Penido durante teleconferência da qual participaram analistas do mercado.

O diretor afirmou que o término da operação pela aquisição da Cimpor fez com que a CSN focasse mais no crescimento orgânico. " Estamos olhando um pouco mais para dentro de casa, para poder entregar crescimento orgânico com tranquilidade. "
Sobre a oferta pela cimenteira portuguesa, o executivo disse que foi positivo o fato de a companhia ter tido disciplina para analisar o quanto o acionista seria beneficiado. " Mesmo tendo recursos, a empresa teve disciplina de analisar o benefício ao acionista e não seguiu em frente. "
" Nós julgamos que os preços praticados pelos nossos concorrentes não eram adequados à CSN e mantivemos um preço que acabou não sendo atrativo " , acrescentou.

A ofensiva da CSN sobre a Cimpor teve início em 18 de dezembro, com o lançamento de uma oferta de 3,86 bilhões de euros - ou 5,75 euros por ação - pela totalidade do capital da cimenteira.

Os problemas, no entanto, começaram no conselho de administração da companhia, que rechaçou a oferta por três vezes, após considerar que seu preço não refletia o valor da empresa.

Na sequência, veio o confronto com grupos brasileiros, interessados em entrar no capital da Cimpor e inviabilizar os planos de Benjamin Steinbruch, dono da CSN.

Questionado se a companhia pretende realizar aquisições em outros setores que não o de aço e o de mineração, Penido respondeu que o foco principal da CSN é " aço, mineração e cimento e que não há pretensão de ampliar o negócio a nenhum mercado no curto prazo " .
Na teleconferência realizada hoje, a CSN também comentou seus resultados financeiros - a companhia obteve lucro líquido de R$ 745,431 milhões nos três meses terminados em dezembro de 2009. No trimestre antecedente, o ganho foi maior, de R$ 1,149 bilhão. Já no quarto trimestre de 2008, o lucro tinha sido de R$ 3,936 bilhões.

Um dos motivos desse resultado foi a adesão ao programa de recuperação fiscal do governo, o Refis, que proporcionou um efeito positivo no resultado antes do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de R$ 507 milhões.
A CSN também analisou seu desempenho no mercado interno. Em 2009, as vendas locais totalizaram 3,2 milhões de toneladas, o que significa uma retração de 22% em relação ao mesmo período de 2008. A empresa explicou que o resultado decorreu da desaceleração na demanda principalmente no primeiro semestre do ano.

No quarto trimestre do ano passado, o volume de vendas no mercado interno de aços planos foi de 1 milhão de toneladas, o que equivale a um crescimento de 14% contra o terceiro trimestre do mesmo calendário.

Esse incremento nas vendas reflete a melhora na demanda por produtos siderúrgicos no mercado domestico, principalmente nos setores de construção civil, linha branca e automobilístico.
O diretor comercial da empresa, Luiz Fernando Martinez, disse que a estimativa é de que a companhia tenha fechado o ano passado com um "market share" no mercado local por volta de 36%. " Temos vocação para o mercado automotivo, em termos de produtos, de planta. Para 2010, a Anfavea projeta crescimento para o mercado e pretendemos capturar essa expansão. "
" Outro segmento no qual ampliamos nosso portfólio foi no de linha branca, principalmente no que se refere a produtos galvanizados " , comentou Martinez.
(Karin Sato | Valor)

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