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26/02/2010 - 08h11

Bovespa surpreendeu na quinta-feira e fechou em alta

SÃO PAULO - Os mercados brasileiros tiveram mais um pregão pautado pela instabilidade. Chamou atenção o comportamento da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que fechou em alta depois de recuar mais de 2% pela manhã. O dólar teve comportamento mais definido e operou com apreciação durante todo o pregão. Já o mercado de juros futuros continuou espelhando a falta de consenso quanto ao início de um aperto monetário.

No mercado externo, dados ruins sobre a economia americana e renovadas preocupação com a situação fiscal da Grécia deixaram o ambiente pesado na parte da manhã. Foi nesse momento que as bolsas aqui e lá fora marcaram as mínimas do dia e o dólar, a máxima.

No decorrer da sessão, a pressão vendedora foi perdendo espaço, mas foi na Bovespa que a mudança de mão ficou mais evidente. O Ibovespa recuperou quase 1.700 pontos no período da tarde até fechar com leve alta de 0,50%, a 66.121 pontos. O giro somou R$ 6,24 bilhões. Na semana, o índice perde 2,18%, mas aponta leve valorização de 1,10% no mês.

A retomada foi liderada pelos papéis do setor siderúrgico e contou com ajuda dos ativos da Petrobras e Vale.

Segundo o analista da SLW Corretora, Pedro Galdi, as siderúrgicas ganharam valor após divulgação de resultados que agradaram o mercado, enquanto os carros-chefe subiram em função de alguma entrada de capital externo.

Fora isso, Galdi lembrou que a Bovespa vinha de uma sequência de queda mais acentuada se comparada aos pares externos e, hoje, passou por uma recuperação.

No entanto, avalia o especialista, a volatilidade deve continuar elevada no curto prazo em função das renovadas preocupações com a Grécia, onde falta entendimento sobre a adoção de medidas para reduzir o déficit fiscal.

Na agenda desta sexta-feira, atenção à nova estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) americano no quarto trimestre. Também saem dados sobre a confiança do consumidor, venda de imóveis e atividade na região de Chicago.

Em Wall Street, os índices fecharam a quinta-feira longe das mínimas, mas não tiveram força para encerrar em terreno positivo. O Dow Jones cedeu 0,51%, o S & P 500 devolveu 0,21%, e o Nasdaq teve leve baixa de 0,08%.
Mais alinhado ao pessimismo externo, o dólar garantiu novo pregão de alta contra o real. Na semana, a moeda sobe 1,44%, mas ainda tem desvalorização de 2,86% no mês.

Ao fim da jornada, o dólar comercial valia R$ 1,831 na venda, leve avanço de 0,27%. Na máxima, a divisa foi a R$ 1,842.

Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o dólar subiu 0,30%, para R$ 1,830. O volume despencou de US$ 59,75 milhões para US$ 17,25 milhões. Já os negócios no interbancário caíram de US$ 3 bilhões para US$ 2,2 bilhões.

No mercado de juros, além dos dados de desemprego de janeiro e da inflação no atacado em fevereiro, os agentes também repercutiram o aumento das alíquotas do compulsório anunciado na noite de quinta-feira pelo Banco Central (BC).

As interpretações não foram só diversas, mas sim completamente divergentes. De um lado, parte do mercado avaliou que o BC quis sinalizar que o aumento da taxa básica de juros está mais perto do que se imaginava. Já outra parcela considerou que a instituição resolveu " ganhar tempo " para observar a trajetória econômica e só mexer na Selic mais para frente.

O Itaú Unibanco está no primeiro time. " Nossa leitura das medidas de ontem é feita, primeiramente, pelo ângulo prudencial. De fato, há mais liquidez no sistema do que é necessário neste momento. Mas o BC também sinalizou uma direção de política monetária, em um momento de alta das expectativas de inflação. A liberação dos compulsórios sugere conforto com a solidez da economia e preocupação com a inflação. Reforça nosso cenário de que o ciclo de alta dos juros é iminente e deve se iniciar na próxima reunião do Copom em 17 de março " , ressaltou a instituição, em relatório ao mercado.

Para a Austin Rating, entretanto, a sinalização dada pelo BC foi outra. " Com a alteração do compulsório, o BC ganha fôlego para confirmar a alta de juros no segundo semestre, que pode inclusive ter uma intensidade mais modesta " , comentou o economista-chefe da instituição, Alex Agostini.

Ao fim da jornada na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido do dia, subia 0,01 ponto, a 10,40%. Também praticamente estável, o DI com vencimento no mesmo mês de 2012 caía 0,01 ponto, a 11,58%. Os contratos com vencimento em janeiro de 2013 e de 2014, por sua vez, recuavam 0,03 ponto, a 11,99% e a 12,23%, respectivamente.

Entre os vencimentos curtos, julho de 2010, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre, subia 0,01 ponto, a 9,27%, e o DI de abril mantinha taxa de 8,736%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 1.101.755 contratos, equivalentes a R$ 97,817 bilhões (US$ 53,737 bilhões), um aumento de 23,3% em relação ao volume do dia anterior. O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 462.590 contratos, equivalentes a R$ 42,512 bilhões (US$ 23,354 bilhões).

Na agenda de indicadores, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que a taxa de desemprego cresceu de 6,8%, em dezembro de 2009, para 7,2%, no primeiro mês deste ano, patamar inferior ao projetado pelas instituições. Em janeiro do calendário passado, o nível de desocupação estava em 8,2%.

Já a Fundação Getúlio Vargas (FGV) informou que o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) avançou 1,18% em fevereiro, seguindo elevação de 0,63% em janeiro.

(Eduardo Campos | Valor)

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